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Teatro - Cinema - Poder e Censura - LGT - Comunicação - Publicidade e Propaganda - Jornalismo - Rádio
Rád. Pirata -
Rád. Comunitaria - Dicas p/ o Radiodifusor - Reg Tv por Satélite - Norma MMDSReg Tv a Cabo -
Televisão - Ibope - Computação - Manual do Radialista - Objetivo Geral
- A História da
Fotografia
- A primeira pessoa no
mundo a tirar uma verdadeira fotografia, se a
definirmos como uma imagem inalterável,
produzida pela ação direta da luz, foi Joseph
Nicéphore Niepce, em 1826. Ele conseguiu
reproduzir, após dez anos de experiências, a
vista descortinada da janela do sótão de sua
casa, em Chalons-sur-Saône. Oriundo da Borgonha,
Niepce era um homem arredio, dedicado à
invenção de aparelhos técnicos, e
interessara-se pela produção de imagens por
processos mecânicos através da ação da luz em
1816, três anos depois de começar a trabalhar
com litografias. O resultado de suas primeiras
tentativas foram negativos de baixa densidade,
expostos sobre papel tratado com cloreto de prata
e precariamente fixados com ácido nítrico.
- Assim, por volta de
1822, já optara por um verniz de asfalto (betume
da Judéia), aplicado sobre vidro, além de uma
mistura de óleos destinada a fixar a imagem. Com
esses materiais, obteve a fotografia das
construções vistas da janela de sua sala de
trabalho, após uma exposição de 8 horas.
Contudo, aquele sistema heliográfico era
inadequado para a fotografia comum, e a
descoberta decisiva seria feita por um cavalheiro
muito mais cosmopolita: Louis Daguerre.
- Ela ocorreu em 1835,
quando Daguerre apanhou uma chapa revestida com
prata e sensibilizada com iodeto de prata, e que
apesar de exposta não apresentara sequer
vestígios de uma imagem, e guardou-a,
displicentemente, em um armário. Ao abri-lo, no
dia seguinte, porém, encontrou-se sobre ela uma
imagem revelada. Criou-se uma lenda em torno da
origem do misterioso agente revelador, o vapor do
mercúrio, sendo atribuído a um termômetro
quebrado; entretanto, é mais provável que
Daguerre tenha despendido algum tempo na busca
daquele elemento vital, recorrendo a um sistema
de eliminação.
- Em 1837, ele já
havia padronizado esse processo, no qual usava
chapas de cobre sensibilizadas com prata e
tratadas com vapores de iodo e revelava a imagem
latente, expondo-a à ação do mercúrio
aquecido. Para tornar a imagem inalterável,
bastava simplesmente submergi-la em uma solução
aquecida de sal de cozinha.
- Em julho de 1839,
Daguerre vendeu sua invenção, o daguerreótipo,
ao governo francês, recebendo em troca uma
pensão vitalícia, no valor de 6.000 francos.
- Embora os primeiros
daguerreótipos fossem de má qualidade a imagem
era invertida, possuía pouco contraste tonal e o
tempo de exposição variava entre 15 e 30
minutos, os aperfeiçoamentos não se fizeram
esperar. A sensibilizada das chapas foi
aumentada, graças ao início do uso do brometo
de prata como acelerador; a posição da imagem
foi corrigida com o acréscimo de prismas à
objetiva; e, quando o ouro foi incorporado ao
processo de fixação, o brilho metálico
transformou-se no célebre tom violáceo-escuro.
- As enormes máquinas
fotográficas que existiam inicialmente logo
foram acrescentadas outras, capazes de tirar
fotografias cujas dimensões eram de 1/3, 1/4,
1/6, 1/8 do tamanho original da chapa (21,6 x
16,5 centímetros)
- Todavia, foi Josef
Petzval, um matemático húngaro radicado em
Viena, o autor da inovação de maior alcance,
fabricando, no ano de 1830, uma nova lente dupla
(acromática), formada por componentes distintos:
com uma abertura de f 3.6, era trinta vezes mais
rápida do que a lente Chevalier comumente
empregada, e desse modo ele conseguiu que os
tempos de exposição sofressem uma redução
drástica.
- Mais do que qualquer
outro, foi esse invento o responsável pela
imediata popularização do daguerreótipo e, na
verdade, da fotografia.
- Em termos práticos,
ainda não se chegara à invenção certa, pois
até então se obtinha apenas o positivo, ou
seja, uma única fotografia.
- Embora o lançamento
dos daguerreótipos, promovido com inteligência,
criasse a fotografia, foi um inglês, Fox Talbot,
que inventou o primeiro sistema simples para a
produção de um número indeterminado de
cópias, a partir da chapa exposta, lançando
assim as verdadeiras bases para o desenvolvimento
desse veículo de comunicação.
- Se a contribuição
de Daguerre à fotografia foi extensa mas
temporária, a de Talbot foi mais restrita,
porém duradoura. Embora Talbot permitisse aos
amadores e cientistas usarem livremente seu
processo, exigia, à semelhança de Daguerre, que
os profissionais obtivessem uma autorização
paga. Apesar de contar com o apoio de eminentes
cientistas, Talbot terminou perdendo uma ação
judicial, sobre patentes, movida contra o
fotógrafo londrino Laroche. Este contestara, em
1852, sua alegação de que os processos
químicos do calótipo e o novo sistema de
colódio úmido seriam, em essência,
praticamente idênticos. Não obstante, a
reivindicação de Talbot, no tocante à
prioridade da invenção, foi confirmada pelos
tribunais ingleses.
- Entretanto, antes
mesmo da relutante capitulação de Talbot, seu
método já fora superado pelo processo de
colódio úmido, inventado por Frederick Scott
Archerm, em 1851. Esse sistema incluía o
revestimento de uma chapa de vidro com uma
solução de nitrato de celulose, onde havia um
iodeto solúvel, e sua sensibilização com
nitrato de prata. A chapa era umedecida antes de
ser exposta na máquina fotográfica, sendo
depois revelada com pirogalol ou com um sal
ferroso.
- O colódio úmido,
embora fosse inconveniente, pouco flexível e
bastante complexo, acabou produzindo excelentes
resultados e foi o responsável direto pelo
nascimento da fotografia temática, área onde se
destacavam como exemplos mais célebres as fotos
tiradas por Roger Fenton durante a Guerra da
Criméia e por Mathew Brady durante a Guerra de
Secessão nos Estados Unidos. Ao se advento pode
ser também atribuída a morte do daguerreótipo,
pois, além de menos dispendioso, o novo processo
possibilitava a obtenção de cópias, sem
maiores problemas.
- No final da década
de 1870, porém, a própria chapa úmida
tornara-se obsoleta. Em 1871, Richard Leach
Maddox, um médico inglês, inventou a primeira
chapa manipulável, usando gelatina para manter o
brometo de prata no lugar; dois depois, era
comercializada a emulsão gelatinosa, e por volta
de 1877, encontravam-se no mercado placas de alta
sensibilizada, acondicionados em caixas, prontas
para serem usadas. Já não havia mais
necessidade de untar as chapas antes da
exposição, ou de revelá-las imediatamente
após.
- Contudo, a chapa seca
de gelatina não se limitou a simplificar a
técnica fotográfica, tendo ocasionado ainda uma
revolução no desenho das câmeras, reduzindo o
equipamento do fotógrafo ao mínimo
indispensável usado até hoje. O novo material
era rápido o suficiente para o registro de cenas
em movimento, desde que as máquinas fossem
providas de um obturador instantâneo. Os
fabricantes reagiram de imediato e, no decorrer
das duas décadas subseqüentes, o mercado foi
tomado de assalto por máquinas de todos os
tamanhos e formatos.
- Pouco depois de o
papel de brometo rápido tornar possíveis as
ampliações, as máquinas fotográficas
portáteis, cujas medidas eram de um quarto da
placa e 12,70 x 10,16 centímetros, firmaram-se
como expoentes de popularidade na Grã-Bretanha e
América do Norte, tendo como equivalente, na
Europa, uma câmera com 12 x 9 centímetros.
- A nova geração,
mais leve, compacta e de manejo relativamente
fácil, incluía quatro modelos principais: com
change box, com magazine, com chassi e filme em
rolo, além da reflex.
- A primeira, surgida
na década de 1850, era vendida com mais ou menos
dez chapas de vidro ou de filme recortado, em uma
change box sobressalente; ao ser acoplada à
máquina, ela permitia que o filme fosse trocado
à luz do dia. A câmera com magazine trazia
entre doze a quarenta placas ou filmes
recortados, em um magazine e um compartimento
situados em seu interior, sendo a chapa
substituída, após a exposição, por meio de
diversos métodos, dos quais o mais comum
consistia em deixar a placa usada cair no fundo
do corpo da máquina. As câmeras com chassis e
filmes em rolo usavam películas flexíveis ao
invés de chapas de vidro ou filmes recortados, e
terminaram por suplantar as outras. Um dos
primeiros exemplos é a máquina dobrável, de
filme em rolo, de Warnercke: surgida em 1875,
caracterizava-se por um trilho único e um
mecanismo de transporte.
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- Quase imediatamente
após a primeira exposição das obras de
Daguerre, teve início a grande polêmica sobre a
fotografia: deveria ela competir com a pintura e
seria, de fato, uma forma de arte? A princípio,
os fotógrafos pareciam dar-se por satisfeitos
com o mero registro daquilo que viam, porém os
adeptos da interpretação logo começaram a
fazer experiências com diversos estilos, onde
imitavam a pintura da época: alguns, com Oscar
Rejlander e Henry Peach Robinson, preocupados
sobretudo com paisagens, recorriam a técnicas
intrincadas de manipulação em uma tentativa
deliberada de obter, através da fotografia, uma
recriação da cena existente diante da câmera.
- E aquela
controvérsia, onde se incluíam aspectos tão
diversos do problema, campeou durante toda a era
vitoriana. Cabia à nova técnica reproduzir ou
interpretar? Seriam válidos os novos métodos de
manipulação? A fotografia era um veículo de
comunicação gráfica ou uma forma de arte?
Vezes sem conta, a discussão perdia-se em uma
semântica condescendente. Por fim, tornou-se
clara a questão principal, a aceitação ou
rejeição da fotografia como arte, e
desencadeou-se a guerra, contribuindo para a
formação de dois grupos de maior destaque: The
Linked Ring, liderado por Robinson e George
Davison, e surgido na Inglaterra em 1892, e o
Photo-Scession, reunido dez anos mais tarde na
América do Norte, sob a orientação de Alfred
Steiglitz, no qual se incluíam Alvin Langdon
Coburn e Edward Steiglitz. Essas duas
organizações tentavam granjear, para a
fotografia pictorialista, o reconhecimento como
uma das belas-artes.
- Os secessionistas
foram particularmente bem sucedidos em salientar
os altos méritos estáticos da fotografia,
enquanto Eastman, por sua vez, tentava torná-la
acessível a milhões de pessoas. A partir
daquela época, a fotografia teve um
desenvolvimento notável em todas as áreas; não
obstante, algumas das restrições originais
subsistem: embora ela talvez seja o meio de
comunicação visual mais importante de nossos
dias, existe ainda uma certa relutância em
conceder-lhe o lugar que lhe cabe no cenário
artístico.
- Se o mérito de
tornar os prazeres da fotografia acessíveis ao
público cabe a uma única pessoa, ela é,
incontestavelmente, George Eastman.
- Seu interesse pela
nova técnica foi despertado em 1877, tinha
então 23 anos de idade e era funcionário de um
banco situado em Rochester, Nova York, quando
comprou o equipamento necessário ao processo de
colódio úmido e começou a ter aulas com um
profissional, em sua cidade. Contudo, sentia uma
crescente insatisfação com aquele processo
confuso, trabalhoso e dispendioso.
- Por volta de 1880,
Eastman já havia começado a fabricar e vender
sua própria produção, e no ano seguinte deixou
o emprego no banco para fundar a Eastman Dry
Plate Company (Companhia Eastman de Chapas
Secas).
- Em 1884, William H.
Walker, um fabricante de máquinas fotográficas,
ingressou na firma e juntos, ele e Eastman,
inventaram um acessório, um chassi, que, além
de encerrar um rolo de papel montado sobre uma
base protetora e suficiente para 24 exposições,
podia ser encaixado em qualquer câmera padrão,
para fotos em chapa.
- Eastman ambicionava,
porém, elaborar um sistema fotográfico através
do qual a pessoa simplesmente tirasse a foto, e
nada além disso.
- Depois de uma
tentativa coroada por relativo sucesso, em 1886,
ele lançou a Kodak (um nome para ser pronunciado
em qualquer país do mundo), no ano de 1888.
Tratava-se de uma câmera pequena (9,2 x 7,9 x
16,5 centímetros); o chassi completo encerrava
um rolo de filme com 6,35 centímetros de
largura, com o qual se obtinham cem exposições
circulares. O obturador cilíndrico era armado
por cordão e disparado por meio de um botão; o
filme era transportado quando se girava um pino e
a máquina tinha apenas uma velocidade (1/25
segundo), uma abertura e uma objetiva retilínea
de foco fixo. E foi aquela a verdadeira
revolução, pois o fotógrafo agora devia apenas
bater a chapa.
- Eastman oferecia
ainda um serviço complementar de todo o
processamento: o dono enviava a câmera de volta
à fábrica e ela lhe era devolvida recarregada e
com cem cópias montadas em cartão. O preço da
máquina era de 25 dólares na América do Norte
e 10 guinéus na Grã-Bretanha; o serviço ficava
em 10 dólares, ou 2 guinéus.
- Eastman sentia-se
preocupado com o alto custo necessário ao
processamento do filme destacável. Henry M.
Reichenbach, um dos químicos da companhia,
procurava aprimorar o espesso celulóide, então
disponível em forma de filme plano, pois
pretendia descobrir um material tão flexível
quanto o papel, e tão transparente quanto o
vidro. No início de 1889, já havia conseguido
aperfeiçoá-lo, e naquele mesmo ano iniciou-se a
produção de filmes em celulóide transparente
tanto para a Kodak como para as máquinas de
filmes em rolo.
- Também em 1889,
Eastman lançou mais duas câmeras: uma nova
versão da kodak com um obturador modificado
(denominado N.° 1) e um modelo maior, capaz de
tirar negativos com 8,9 centímetros de
diâmetro.
- Por volta de 1890,
já existiam no mercado mais cinco modelos, dois
deles dobráveis. Todos utilizavam filmes em
rolo, colocados no laboratório. As câmeras que
podiam ser carregadas à luz natural foram
introduzidas no mercado no ano seguinte.
- Embora tanto a
produção quanto os progressos fossem notáveis,
Eastman ainda tentava encontrar métodos para
reduzir os preços, e solucionou o problema com o
filme de rolo em cartucho: a Kodak de bolso
começou a ser vendida em 1895 por 1 guinéu, ou
5 dólares. Era uma câmera de dimensões muito
menores (5,7 x 5,7 x 7,8 centímetros), tirando
doze fotografias de 3,80x 6,35 centímetros. Um
novo modelo dobrável, destinado a aumentar o
tamanho das fotos, surgiu em 1897.
- Espantosamente,
Eastman foi ainda mais longe. Havia milhões de
pessoas com baixo poder aquisitivo, e isso deu
ensejo à criação de um novo modelo, mais
simples. Apesar de ter sido idealizado por Frank.
A. Brownell em 1900, recebeu o nome de uma
personagem contemporânea de histórias em
quadrinhos, de autoria de Palmer Cox. Tratava-se
da Brownie, talvez a máquina fotográfica mais
célebre da história, capaz de tirar fotos de
qualidade, com 6 x 6 centímetros, em filme de
rolo em cartucho ao preço de 5 xelins, ou 1
dólar.
- Enquanto Eastman
estava ocupado com a conquista do novo mercado
popular, lançavam-se os alicerces das áreas
mais sofisticadas da fotografia. A primeira
máquina de duas objetivas, com lentes
interligadas, de foco simultâneo, foi fabricada
por R. & J. Beck, em 1880; em 1888, S. D.
McKellen tirou a patente da primeira máquina
reflex na qual o espelho deslocava-se
automaticamente durante a exposição, pois era
ligado a um obturador de cortina.
- Desde o início deste
século, a história passou a caracterizar-se
mais pelo refinamento e aperfeiçoamento do que
por inovações ou invenções: a Ermanox, com
chapa única de precisão, f. 1.8 (1924); a
excelente Leica, precursora de todas as câmeras
de 35 mm (1925); a Rolleiflex TLR (ou reflex de
objetivas gêmeas), projetada por Franke e
Heidecke (1928); a SLR (ou reflex monobjetiva) de
35 mm (surgida na década de 30); o filme
Kodachrome em 16 mm (1935) e 35 mm (1936); o
Polaroid em branco e preto (1949) e em cores
(1963); e a Instamatic de cartucho 126, lançada,
também, em 1963.
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Cinema
- O
cinema é chamado de sétima arte
porque, no século XX, juntou-se
a outras seis tradicionalmente
consideradas: arquitetura,
literatura, pintura, música,
dança e escultura. Ao contrário
do que acontece com estas, existe
um data para comemorar o
nascimento do cinema: dezembro de
1895. Foi quando os irmãos
Lumière promoveram em Paris a
primeira sessão pública de seu
invento, o cinematógrafo,
mostrando cenas cotidianas. E
sabe da maior? Não faltou quem
dissesse que aquilo era uma moda
passageira...
- Desde
a pré-história, os homens
tentaram reproduzir figuras em
movimento, como os artistas que
pintaram nas grutas de Altamira
animais correndo, desenhando as
patas em distintos momentos da
corrida. Também os antigos
baixos-relevos egípcios e gregos
mostram figuras no ato de se
movimentarem, ainda que aquela
permaneça imóvel.
- O
fenômeno da persistência
retiniana, no qual uma impressão
visual permanece na retina, só
desaparecendo pouco a pouco, já
havia sido, constatado por
Aristóteles e por Lucrécio na
Antigüidade. O físico árabe
Al-Hazen estudou o fenômeno e
descreveu, por volta do ano
1.000, como os raios de luz de um
objeto iluminado, ao penetrar
através de um pequeno orifício
em um compartimento escuro - a
câmera escura -, formam uma
imagem invertida do objeto na
parede oposta. Baseando-se nessas
duas descobertas, os
investigadores prosseguiram as
experiências sobre o assunto,
durante os séculos seguintes.
Descobriu-se que, mostrando
várias imagens em sucessão
suficientemente rápida, o olho,
por inércia, capta-as como uma
só, de conteúdo cambiante. O
fenômeno da imagem projetada na
câmera escura, através de um
orifício, permitiu a invenção
da máquina fotográfica. No
princípio, desenhava-se a imagem
obtida, mas, com o avanço da
técnica da fotografia no século
XIX, pôde-se fixá-la em uma
placa.
- Em
breve, um novo material, o filme
ou película, substituiu as
pesadas placas. O filme pode
passar rapidamente através de
uma máquina fotográfica,
captando várias imagens por
segundo. Inventou-se um mecanismo
para fazer avançar o filme
sempre que se obtinha uma
fotografia, enquanto se impedia a
entrada da luz com um diafragma.
Depois de revelado o filme, as
imagens eram iluminadas por
trás, por meio de um aparelho
semelhante, e reproduzidas em uma
tela em ritmo sincronizado. Na
projeção, a imagem invertida
endiretamente de novo.
- Para
produzir ilusão de movimento, é
preciso mostrar uma série de
imagens de modo tão rápido que
olho não possa perceber
descontinuidade entre elas. A
fita de cinema mudo passava 16
imagens por segundo. Um diafragma
giratório obstruía a passagem
da luz, ao passar o filme, e
deixava passar a luz enquanto se
mostrava a imagem.
- Na
década de 1920-1930, apareceu o
filme sonoro. Os impulsos
elétricos do microfone de
captação do som eram
convertidos em variações
luminosas e mais tarde
"fotografadas" à
margem do filme. Este sistema foi
substituído posteriormente por
um registro sonoro magnético, do
mesmo tipo dos gravadores, de
qualidade sonora mais pura. Esse
registro é depois
"lido" por um
dispositivo do projetor. A fita
ou filme passa continuamente
pelas cabeças de gravação que
registram e copiam. Para
conseguir uma boa qualidade de
som, o filme deve avançar mais
rapidamente que na época do
cinema mudo, fazendo-o, no filme
sonoro, à velocidade de 24
imagens por segundo.
- A
fita cinematográfica de Lumière
tinha 35 mm de largura, que é
ainda o formato mais corrente.
Para amadores, exibição em
colégios, etc., foram
idealizados, depois, formatos
mais estreitos (8 e 16 mm).
- Um
retângulo de 2 x 3 m foi,
durante 50 anos, o formato usual
da imagem projetada. Nos últimos
20 anos, contudo, várias
modificações foram
introduzidas. Variou a
superfície de imagem do filme e
mudou o sistema ótico do
projetor pela utilização de
filmes mais largos. Passo-se
também a empregar a filmagem com
várias câmeras e a projeção
por várias máquinas ao mesmo
tempo, com o fim de abranger uma
porção mais ampla do campo
visual do espectador.
Simultaneamente, foi criado o som
estereofônico com a
superposição de vários
registros na banda sonora e a
colocação de vários
alto-falantes na sala, aumentando
a sensação de realidade no
"espectador-ouvinte".
- Também
a utilização da cor permitiu
reforçar a sensação de
realidade e aumentar as
possibilidades estilísticas. O
cinema em cores baseia-se, em
geral, no método substantivo,
que emprega filmes com três
camadas sobrepostas, sensíveis
às três cores primárias (azul,
verde e vermelho).
- Abaixo
estão os principais
acontecimentos da história da
sétima arte:
1895
Os irmãos Auguste Lumière
(1862-1954) e Louis Lumière
(1864-1948) criaram a câmara de
vídeo, futuramente patentiada.
Em 28 de dezembro, eles promovem
a primeira sessão pública do
cinematógrafo, no Grand Café do
Boulevard des Capucines, em
Paris, com a exibição de dez
filmes, entre eles A Saída dos
Operários da Fábrica Lumière.
1896
Charles, Émile, Jacques e
Thêophile Pathé fundam a Pathé
Frères, estúdio que em 1908 já
é um império internacional.
The Kiss, de Edison, mostra em
close-up um beijo entre John Rice
e May Irwin.
Em 8 de julho, é realizado no
Rio de Janeiro a primeira sessão
de cinema no Brasil.
1897
Inaugurada a primeira sala
regular de cinema no Brasil, na
rua do Ouvidor, no Rio de
Janeiro.
1898
Em 19 de julho, Afonso Segreto
roda o primeiro filme brasileiro:
a Baía de Guanabara fotografada
de navio.
Surgem os primeiros filmes com
trechos coloridos de maneira
primitiva, sobre a película já
filmada.
1899
Sai King John, a primeira das
mais de 200 adaptações
cinematográficas de Shakespeare.
A Eastman Kodak estabelece o
formato padrão de filme
cinematográfico para uso
profissional, com 35mm de largura
e quatro perfurações ao lado de
cada fotograma. Em 1917, a
Sociedade dos Engenheiros
Cinematográficos dos EUA adota
essas dimensões como oficiais.
1902
O filme Viagem à Lua, de Georges
Méliès, introduz a ficção
científica no cinema.
1903
Edwin S. Porter faz O Grande
Roubo do Trem, precursor dos
faroestes que apresenta uma
seqüência colorida na própria
película.
1905
É fundado
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o Variety, jornal que
se tornou a bíblia da indústria
de espetáculos. A partir de
1930, enfrenta a concorrência do
Hollywood Reporter.
1906
George Albert Smith patenteia o
Kinemacolor, primeiro processo
comercial para filmes coloridos.
1910
Vida de João Cândido, de autor
desconhecido, é o primeiro filme
nacional a trazer um personagem
negro, um marinheiro que liderou
a Revolta da Chibata, no Rio.
1911
É lançado Little Nemo, de
Winsor McCay, primeira tentativa
autêntica de produzir um filme
animado com perspectiva e
movimento.
1912
Carl Laemmle funda a Universal
Pictures, vendida em 1962 para a
agência de talentos MCA, por sua
vez comprada em 1990 pelo grupo
japonês Matsushita.
1913
Hollywood, subdivisão política
da cidade de Los Angeles, começa
a tornar-se o centro da
produção cinematográfica dos
EUA. Dos grandes estúdios,
apenas a Paramount permanece ali
hoje; os demais transferiram-se
para outras regiões de LA.
1914
Sai Darktown Jubille, o primeiro
filme americano inteiramente
realizado por negros.
1915
O Nascimento de Uma Nação,
realizado por D.W.Griffith, é
uma apologia do racismo que
reúne inovações como uso de
panorâmica e montagem alternada.
Foi o primeiro filme a romper a
barreira dos US$ 10 milhões de
bilheteria e a ser exibido na
Casa Branca.
1916
Intolerância, de Griffith,
épico sobre o preconceito,
explora ainda mais os recursos
reunidos em O Nascimento de uma
Nação.
A fusão da Famous Players,
criada por Adolph Zukor, em 1912,
com a Jesse L. Lasky Feature
Players dá origem à Paramount.
1917
Criada em 8 de dezembro a
Universum Film (UFA), durante
muitos anos o principal estúdio
alemão.
1918
The Sinking of the Lusitania, de
Winsor McCay, provavelmente o
primeiro longa de animação.
1919
Em 27 de agosto, Lênin assina
decreto nacionalizando o cinema
tzarista; em 1922, os estúdios
reabrem.
Mary Pickford, Douglas Fairbanks,
Charlie Chaplin, William S.Hart e
D.W.Griffith fundam a United
Artists, em 1981 incorporada à
MGM e desde então pertencente ao
grupo australiano Qintex.
Robert Wiene realiza o
filme-marco do expressionismo
alemão, O Gabinete do
Dr.Caligari.
1921
845 filmes norte-americanos são
lançados nos cinemas dos EUA,
recorde ainda não igualado.
1922
É criada a Montion Picture
Producers and Distributors of
America, principal instrumento de
lobby do cinema nos EUA.
1923
Harry, Albert, Jack e Sam Warner
fundam a Warner Brothers. Em
1989, o grupo Warner
Communications uniu-se à Time,
Inc. para criar a maior companhia
de mídia do mundo.
Walt e Roy Disney fundam a Disney
Brothers Studio, que deu origem a
The Walt Disney Company.
1924
A Metro Pictures, de Marcus Loew
e Nicholas Schenk, incorpora a
Goldwyn Pictures e associa-se a
Louis B. Mayer, dando origem à
Metro-Goldwyn-Mayer, o mais
famoso estúdio de Hollywood nos
anos 30.
Os irmão Harry e Jack Cohn
unem-se a Joseph Brandt para
fundar a Columbia, adquirida em
1981, pela Coca-Cola Company.
1925
Sergei M. Eisenstein realiza O
Encouraçado Potemkin, clássico
do cinema político, e coloca em
prática suas idéias sobre
"montagem das
atrações". Esteve proibido
no Brasil de 1964 a 1980.
1927
A Fox produz curtas e seu
primeiro filme de atualidades
utilizando o sistema Movietone,
que grava o som diretamente na
película. Aurora, de Murnau, é
lançado apenas com música na
trilha, sem diálogos. O Cantor
de Jazz, que usa o Vitaphone
(sistema de sonorização em
discos), tem cenas musicais
sincronizadas e dois trechos com
diálogos.
Napoleão, de Abel Gance,
introduz o sistema de projeção
Polyvision, de tela tripla. Em
1956, Gance registra outro
sistema de projeção tripla, o
Magirama. Napoleão é restaurado
em 1981 com trilha de Carmine
Coppola.
Em 11 de janeiro, 36
profissionais, entre eles Harold
Lloyd e Mary Pickford, fundam a
Academia de Artes e Ciências
Cinematográfica de Hollywood.
Hoje ela tem quase 5 mil membros.
1928
Steamboat Willie apresenta o
personagem-símbolo de Walt
Disney e introduz o som
sincronizado em cartoons.
Joseph Kennedy e David Sarnoff
fundam a RKO, adquirida por
Howard Hughes em 1948 e pelo
grupo General Teleradio em 1955.
Foi extinta em 1957.
1929
Em 6 de maio, a Academia realiza
a primeira cerimônia de entrega
do Oscar a filmes exibidos em Los
Angeles de agosto de 1927 a julho
de 1928. Asas, de William
Wellman, ganha o prêmio de
melhor filme.
Após vários escândalos, os
estúdios americanos adotam um
"código de produção"
moralista, batizado Código Hays.
Em 1934, cria-se um organismo
para implantar a autocensura: a
Administração do Código de
Produção.
Um Cão Andaluz, dirigido por
Luis Buñuel e co-escrito por
Salvador Dali, torna-se o marco
do surrealismo no cinema.
1930
Adhemar Gonzaga funda, no Rio de
Janeiro, a Cinédia.
1932
Quatro filmes dividem o Leão de
Marcos na primeira edição do
festival de Veneza, entre eles A
Nous la Liberté, de René Clair.
Inaugurado, em 27 de dezembro, o
Radio City Music Hall, ainda hoje
o maior cinema do mundo, com
5.874 lugares.
Rouben Mamoulian torna-se
precursor no uso do zoom com
Ama-me Esta Noite.
1933
O Desertor, de Vsevolod Pudovkin,
é um dos precursores no uso do
recurso da câmera lenta, numa
cena de suicídio.
1935
Surge a 20th Century Fox, fruto
da associação entre a Fox Film
Corporation de William Fox e a
20th Century Pictures de Joseph
Schenck e Darryl F. Zanuck.
Vaidade e Beleza, de Rouben
Mamoulian, é o primeiro longa
inteiramente colorido. Usa o
processo Techicolor. Nos anos 50,
surge o Eastmancolor, que exige
menos luz durante as filmagens e
cujo processo é mais simples e
barato.
Mae West torna-se a mais bem paga
mulher dos EUA, ao faturar
durante o ano US$ 480 mil.
Herbert J. Yates funda a
Republic, fechada em 1958.
1936
Início das transmissões
públicas e regulares de TV em
Londres.
1937
Branca de Neve e os Sete Anões,
primeiro longa de Walt Disney,
rompe a barreira de US$ 50
milhões de bilheteira.
O maior complexo do cinema
europeu, Cinecittà, é fundado
nas proximidades de Roma.
1939
O ano de ouro de Hollywood:...E o
vento levou, O Mágico de Oz, No
Tempo das Diligências, Adeus
Mr.Chips, Ninotchka, O Morro dos
Ventos Uivantes, Gunga Din, A
Mulher faz o Homem, Beau Geste,
Duas Vidas...
1941
É fundada a Atlântida, no Rio
de Janeiro, que se especializa em
chanchadas e durante muitos anos
concentra a maior parte da
produção nacional.
Orson Welles realiza Cidadão
Kane, inovador pelo uso de
profundidade de campo e
movimentos de câmera, entre
outros aspectos, e a partir dos
anos 60 eleito por cineastas e
críticos do mundo inteiro, em
pesquisa da revista Sight and
Sound, o melhor filme de todos os
tempos.
John Huston lança Relíquia
Macabra, mais tarde considerado o
primeiro clássico do film noir.
1942
Mowgli, o Menino Lobo, de Zoltan
Korda, torna-se o primeiro filme
a ter sua trilha sonora (composta
por Miklos Rozsa) lançada
comercialmente.
1945
Roberto Rossellini dirige e
Federico Fellini co-escreve o
marco inicial do neo-realismo
italiano, Roma, Cidade Aberta.
1946
A primeira edição do festival
de Cannes dá o Grande Prêmio a
A Batalha dos Trilhos, de René
Clément. A Palma de Ouro só é
criada em 1955.
1949
O estúdio Vera Cruz é fundado,
em São Bernado dos Campo (SP).
1950
A atriz Ida Lupino estréia na
direção com Quem Ama Não Teme
e torna-se a primeira mulher a
fazer carreira em Hollywood como
produtora e diretora.
Flechas de Fogo, de Delmer Daves,
é a primeira produção classe A
de Hollywood a tratar índio como
gente.
Rashomon, de Akira Kurosawa,
revela para o Ocidente o cinema
japonês.
1952
Bwana Devil é o primeiro filme
em 3D lançado nos cinemas.
Cantando na Chuva, de Gene Kelly
e Stanley Donen, representa a
quintessência dos musicais.
1953
Estréia em Nova York O Manto
Sagrado, primeiro filme rodado em
CinemaScope, processo registrado
pela Fox.
Lima Barreto ganha o prêmio de
melhor filme de aventura no
Festival de Cannes.
1954
François Truffaut publica nos
Cahiers du Cinéma o artigo
"Uma Certa Tendência do
Cinema Francês", que
estabelece as bases da
"política dos
autores". Nelson Pereira dos
Santos lança Rio, 40 graus,
considerado o precursor do Cinema
Novo.
1955
O Homem do Braço de Ouro, de
Otto Preminger, com Frank Sinatra
no papel de um viciado em drogas,
desafia o Código Hays.
1956
A primeira edição do Festival
de Berlim dá o Urso de Ouro a
Convite à Dança, de Gene Kelly.
1959
O filme Ben-Hur, de William
Wyler, recebe onze Oscar, recorde
absoluto até hoje.
O movimento francês da Nouvelle
Vague entra em campo com Os
incompreendidos, de Truffaut;
Hiroshima, Meu Amor, de Alain
Resnais e Acossado, de Godard.
1961
O Passado me Condena, com Dirk
Bogarde, é a primeira produção
classe A em língua inglesa a
falar abertamente de
homossexualismo.
Jerry Lewis usa o videotape para
controlar movimentos de atores e
câmera em O Terror das Mulheres.
1962
O Pagador de Promessas, de
Anselmo Duarte, ganha o prêmio
máximo no Festival de Cannes.
O Satânico Dr. No, primeiro dos
18 filmes com James Bond, inicia
a mais bem-sucedida série da
história do cinema.
1963
Cleópata, de Joseph L.
Mankiewicz, custou US$ 44
milhões e foi durante muitos
anos o mais caro filme da
história.
1964
Os dois grandes filmes do Cinema
Novo Brasileiro chegam as telas:
Vidas Secas, de Nelson Pereira
dos Santos, e Deus e o Diabo na
Terra do Sol, de Glauber Rocha.
1965
Glauber Rocha publica o manifesto
"Estética da Fome",
divisor de águas do cinema
brasileiro.
1967
A superprodução soviética
Guerra e Paz teria custado US$
100 milhões, o que a tornaria a
mais cara da história até a
realização de True Lies, 1994,
de James Cameron.
1968
2001, uma Odisséia no Espaço
torna-se um marco da ficção
científica e do próprio cinema
moderno.
O sistema classificatório de
filmes substitui o Código Hays.
1970
A Paramount e a Universal fundam
empresa de distribuição para
atuar no exterior, a Cinema
International Corporation (CIC),
à qual se associam em 1981 a MGM
e a United. Em 1982, ela vira
United International Pictures
(UIP).
1971
Stanley Kubrick gera polêmica em
todo o mundo ao adaptar o romance
Laranja Mecânica, de Anthony
Burgess, sobre a violência de
uma sociedade futurista. O filme
é censurado em vários países,
inclusive o Brasil.
1972
O Poderoso Chefão, filme de
Francis Ford Coppola, inaugura a
fase arrassa-quarteirão no
cinema americano: ou a fita é um
grande sucesso, ou não é nada.
1975
Tubarão, filme de Steven
Spielberg, é o primeiro a romper
a barreira de US$ 100 milhões de
bilheteria, e a produção
estrangeira de maior público no
Brasil (13 milhões de
espectadores).
A Industrial Light & Magic,
gigante dos efeitos especiais,
surge como um pequeno grupo
dedicado a criar truques visuais
para o filme Guerra nas Estrelas,
de George Lucas.
1976
Dona Flor e seus Dois Maridos, de
Bruno Barreto, é visto por 10,7
milhões de espectadores, o maior
sucesso de público na história
do cinema nacional.
Blound for Glory é o primeiro
filme a usar Steadicam, sistema
criado por Garret Brown e que
permite filmar levando a câmera
na mão, com imagem estabilizada.
O recurso foi notabilizado por
Stanley Kubrick, em O Iluminado.
O som em Dolby Stereo chega ao
cinema.
O Império dos Sentidos, de
Nagisa Oshima, é o primeiro
filme "sério" com
cenas de sexo explícito.
1977
A Matsushita introduz o formato
VHS (Video Home-System), que
passa a dominar o mercado nos
anos 80.
Guerra nas Estrelas, filme de
George Lucas, é um marco
absoluto no desenvolvimento dos
efeitos especiais; torna-se
recordista de bilheteria.
1982
E.T, filme de Steven Spielberg,
assume a liderança no ranking de
bilheteria; em 1993, é
destronado por Jurassic Park,
também de Spielberg. Tron, uma
Odisséia Eletrônica, dos
Estúdios Disney, é o primeiro
filme a produzir seqüências
inteiras em computação
gráfica.
1985
A Color System Technologies
lança um sistema de
colorização de filmes,
comercializado por uma divisão
da Turner, que introduziu um
processo digital em 1987,
através do qual a cor é
acrescentada eletronicamente em
videotape.
1988
Robert Zemeckis integra atores de
verdade e desenho animado à
perfeição em Uma Cilada para
Roger Rabbit, que se torna um
marco técnico.
1991
O Exterminador do Futuro 2, de
James Cameron, orçado
extraoficalmente em US$ 95
milhões, torna-se o mais caro
filme da história (sem levar em
conta os supostos US$ 100
milhões de Guerra e Paz); Arnold
Schwarzenegger teria recebido o
cachê recorde de US$ 15
milhões.
Final Approach, de Eric Steven
Stahl, primeiro filme
inteiramente gravado com
tecnologia de som digital.
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1993
Steven Spielberg lança Jurassic
Park, o máximo - até então -
em efeitos digitais e a maior
bilheteria de todos os tempos,
com US$ 868 milhões.
1994
Em 12 de outubro, Steven
Spielberg, David Geffen e Jeffrey
Katzenberg (ex-Disney) anunciam
sua parceria para a criação de
um novo estúdio.
1995
É lançado Toy Story, primeiro
longa metragem feito totalmente
em computação gráfica.
- Produção
e público
- Com
imagens móveis e sons, pode-se
mostrar a realidade e desenvolver
ficções. A princípio,
julgou-se que o cinema era um
invento de interesse apenas para
a ciência, mas rapidamente ficou
demonstrada uma aplicação muito
mais ampla. A cinematografia
evoluiu a ponto de criar uma
linguagem própria,
convertendo-se em arte. A
combinação da imagem e do som,
no cinema, faz com que o
espectador viva o relato como se
fosse protagonista,
proporcionando a esse meio de
expressão uma imensa força de
atração. A produção
cinematográfica fez surgir uma
grande indústria, com múltiplos
interesses. No seu início o
cinema adotou um estilo
narrativo, consagrando-se, na
maior parte, à história de
aventuras; mas a própria
realidade constitui, muitas
vezes, o motivo das narrações
filmadas, sobretudo nos chamados
documentários. Os argumentos,
mesmo quando imaginários, são
filmados em ambientes reais,
logrando, assim, um caráter mais
intenso e verossímil. Durante
certos períodos da história do
cinema, predominou a filmagem
"em locação". Mas
nesse caso as tomadas podem se
tornar onerosas, por exigir muito
tempo, dificultando igualmente a
criação de imagens e sons mais
efetivos e adequados para a
narrativa. Por essa razão,
grande parte das filmagens
realiza-se em estúdios, locais
especialmente preparados para a
produção de ficções filmadas.
- Também
se fazem filmes desenhados e
"trucados", em que se
utilizam motivos desenhados ou
pintados, bonecos, etc. Essa
técnica é usada principalmente
em contos infantis e educativos.
Desde o início da história do
cinema, a exibição das
narrações filmadas vem se
realizando em salas públicas de
projeção, que constituíram a
primeira fonte de receita da
indústria cinematográfica. Por
esse motivo, a evolução da arte
cinematográfica desenvolveu-se
dentro do repertório destinado
ao grande público. Contudo,
convém não esquecer que o
cinema tem muitas outras
funções.
- Cada
vez mais se realizam projeções
em outros locais como escolas,
lugares de reunião e, inclusive,
casas particulares. O cinema é,
atualmente, um dos meios mais
importantes de comunicação
social.
- Da
idéia ao filme terminado
- Todo
amador de cinema sabe que se pode
conseguir filmes aceitáveis com
meios simples. Mas os filmes
destinados a exibição pública
exigem maiores cuidados, pois
devem superar situações mais
difíceis. Por isso, uma
produção cinematográfica
importante necessita de muitos
especialistas e profissionais, de
equipamento caro e de minuciosa
planificação. Mas para as
grandes produções como para as
pequenas, a rotina de trabalho
para realizar uma idéia
cinematográfica é a mesma. O
material de som e de imagem deve
ser obtido sem gastos
desnessários, de forma que o
orçamento do filme não seja
ultrapassado. Um argumento
cinematográfico é arranjado,
desde o início, em forma de
roteiro, quer dizer, como um
autêntico plano de trabalho no
papel, contendo a descrição,
seqüência por seqüência, do
conteúdo visual e sonoro do
filme.
- Baseando-se
em um roteiro pode-se organizar a
filmagem, calcular as despesas,
construir ou procurar os
ambientes adequados e contratar
os atores necessários. Filma-se
então a imagem, gravando-se o
som simultânea ou separadamente.
O laboratório revela e copia os
negativos das cenas bem
realizadas. Mas só com a
montagem o filme adquire
realmente forma, pois os planos
são recortados e justa-postos de
maneira a obter o sentido
previsto. O som, gravado em fita
magnetofônica, insere-se
paralelamente à imagem, de
maneira que ambos se complementem
(aplicação sincrônica).
Quase sempre é necessário
utilizar várias fitas sonoras
para sincronizar todos os sons.
As diferentes fitas são reunidas
em uma só, com a ajuda de
aparelhos especiais, sendo os
sons depois transmitidos da fita
magnetofônica para um negativo
fotográfico. Quando a cópia
positiva já está montada
(cópia de trabalho ou copião),
monta-se o negativo, de acordo
com a versão em positivo já
montada. Depois de ter conseguido
os valores corretos de luz e de
filtro (adaptação da
iluminação), o laboratório
realiza-se uma versão em
negativo da montagem final
(imagem e som) de todo o filme,
da qual são tiradas várias
cópias para distribuição.
Então, por fim, o filme está
pronto para ser exibido ao
público.
- Cinema
para todas as necessidades
- Quando
se fala do encontro do homem com
o cinema, pensa-se logo na sala
de projeção. Mas tendo em vista
o papel que desempenha o cinema
de hoje, não podem ser
esquecidos os restantes campos de
aplicação.
- O
cinema permite ao pesquisador
conservar os momentos e a
sucessão de acontecimentos para
minuciosas pesquisas
científicas. Os fatos
registrados podem informar o
público sobre a atualidade ou
complementar sua educação.
Dessa forma, pode-se conservar o
presente para que se tenha, no
futuro, um conhecimento exato dos
homens, ambientes e
acontecimentos de nosso tempo,
tal como são na realidade. O
cinema constitui, pois, uma
importante fonte de
documentação. Sob o outro
aspecto, arquivar recordações
pessoais numa fita
cinematográfica pode se tornar
um agradável entretenimento.
- O
cinema apresenta homens,
ambientes e acocontecimentos de
diversas maneiras, refletindo as
concepções do criador
cinematográfico e transmitindo
suas idéias ao público. Mesmo
um documentário reftlete a
visão do seu criador.
- A
força de sugestão do cinema
transformou-o em um dos meios de
propaganda mais eficazes da
atualidade. Os partidos
políticos e grupos de opinião
utilizam-no com essa finalidade.
As empresas de publicidade
investem grandes quantias em
produções cinematográficas, e,
por vezes, é difícil discernir
entre informação e mera
propaganda.
- A
força de sugestão é
proporcional à capacidade de
captar a atenção do espectador,
para quem o cinema é sobretudo
uma forma de distração, seja o
tema do relato frívolo, ou
sério. A capacidade para cativar
o público é uma das
características essenciais do
meio de expressão
cinematográfico.
- Qualquer
meio de comunicação social
pode, conjugando forma e
conteúdo, evoluir e atingir um
nível de criação artística.
Assim aconteceu com o cinema, que
constituiu uma nova forma de arte
do nosso século, a qual, devido
ao seu caráter de meio de
comunicação de massa, é, entre
todas, a mais popular. As salas
públicas de projeção, a
televisão e os locais para
exibição de filmes mais
estreitos (8 e 16mm) fizeram do
cinema o professor eficiente, o
rápido transmissor de notícias
e o grande teatro do povo.
- Meio
de comunicação de massa
- A
forma tradicional de
distribuição, em que as cópias
dos filmes são destinados aos
locais de exibição, foi
completada com a televisão,
através da qual milhões de
pessoas encontram o cinema
diariamente em suas casas. Mas
não se deve esquecer que o
cinema destina-se tanto à massa
como os indivíduos. Estes captam
as mesmas imagens e o mesmo som,
mas, devido à pré-disposição
pessoal, podem recebê-los de
maneira diferente e reagir de
modo oposto perante um mesmo
filme. O filme é composto de
elementos dispersos - um
verdadeiro quebra-cabeça de
imagens e sons ordenados - de
maneira que o
"espectador-ouvinte"
possa buscar e encontrar a
coerência necessária. Os
fragmentos insinuam o conteúdo
que o
"espectador-ouvinte"
deve criar por si próprio, com a
ajuda de sua capacidade de
associação e da fantasia.
Compreender um filme é, quer o
espectador se dê conta ou não,
uma tarefa que envolve esforço.
O "espectador-ouvinte"
vê com o olho da câmara e ouve
com o ouvido do microfone,
sentindo-se integrado no ambiente
em que se desenrola a ação do
filme, o que o faz esquecer o
ambiente real do local de
exibição. Apesar de ser uma
sensação individual, o
sentimento de comunidade pode
influenciá-la. Se as pessoas que
estão sentadas à nossa volta
compartilham das mesmas
sensações, exteriorizando-as
com risadas ou sussuros de
tensão, tal fato pode fazer
aumentar a integração
individual. Pelo contrário,
surge a irritação, quando o
sentimento de comunidade é
quebrado, isto é, quando quem
nos rodeia dá indícios de
reagir de forma diferente (por
exemplo, com risadas
inoportunas).
- O
filme coloca o espectador em
contato com outras pessoas e
circunstâncias e, através de
ambientes e ações fictícios,
pode estimular simpatias e
antipatias. Este contato parece
ser psicologicamente mais
duradouro que as duas horas que
dura normalmente a projeção e,
por isso, o cinema é um meio de
grande eficácia para a
divulgação de modas e costumes.
O conhecimento da intensa
vivência emocional do público
perante um filme, assim como a
penetração do cinema como meio
propagandístico, levou à
adoção de certas precauções,
e mesmo em países governados
democraticamente as exibições
cinematográficas públicas
estão sujeitas a algum tipo de
controle ou de censura. Mas essa
possibilidade de impressionar
profundamente e, no caso, de
influenciar negativamente, não
foi, porém, objeto de estudos
suficientes e imparciais e muitos
pesquisadores põem-na em
discussão.
- Linguagem
do cinema
- O
filme não reproduz fielmente a
realidade, nem mesmo quando se
trata de um documentário.
Baseando na realiadade ou na
ficção, constrói um relato
através da montagem, com meios
expressivos compostos de imagens
móveis e sons. A televisão faz
a mesma coisa, se bem que, por
diferenças técnicas entre os
dois meios, há sensíveis
diferenças na maneira de
utilizar o idioma comum.
- A
linguagem falada contém muitas
expressões que mostram que nossa
maneira de interpretar o que
vemos relaciona-se com o
condicionamento físico.
Sentimo-nos
"superiores" a este ou
"inferiores" àquele,
seguimos um de perto, enquanto
mantemos outro longe do
pensamento. Podemos ver as coisas
"negras" ou
"cor-de-rosa". Qualquer
composição de imagem pode levar
em conta esses fatores para
influir no espectador. O filme,
por meio da mobilidade da
câmara, pode imitar o
comportamento humano na realidade
e também criar a observação do
espectador.
- A
montagem de sons parece reforçar
a imagem da realidade. Se o som
do alto-falante coincide com a
imagem, o
"espectador-ouvinte"
facilmente deduz que são partes
da mesma realidade. Mesmo que o
som não esteja verdadeiramente
unido à imagem, influi na
emoção como uma espécie de
acompanhamento e, por
conseguinte, na interpretação
do conteúdo da imagem.
- A
montagem de cenas funciona de
maneira similar. O
"espectador-ouvinte"
procura uma relação entre os
planos que se sucedem, e estes,
por encadeamento, podem provocar
sentimentos díspares. Por
exemplo: uma cena de enterro,
seguida da imagem de uma criança
brincando sozinha, produz um
sentimento de tragédia, enquanto
que a mesma imagem da criança
brincando pode parecer alegre se
antes mostrou-se a mãe saudando
da janela da cozinha onde
trabalha.
O ritmo do filme não depende só
da técnica de encadeamento e
mudança das cenas, mas também
dos matizes de intensidade de
imagem e da luz. O desenrolar das
cenas aproxima-se, assim, do
ritmo musical. O tempo e
intensidade dão à linguagem
cinematográfica o pulso
dramático e o diretor de cinema
relata utilizando meios
psicológicos. O cinema baseia-se
essencialmente na linguagem
visual. Esta complementa a
linguagem escrita ou falada, com
a vantagem de proporcionar uma
visão global de apreensão
imediata.
- Arte
cinematográfica
- Na
história do cinema pode-se
assinalar duas linhas principais
e paralelas, que, de uma maneira
frutífera, se influenciam
mutuamente. Ambas têm origem na
criação cinematográfica
francesa inicial. Uma dessas
linhas capitais, iniciada com
Lumière, procura um contato
íntimo com a realidade, quer
dizer, tenta obter realismo de
formas diversas. O cinema
documentário e o drama realista
seguem essa tendência. A outra
linha procede de Milièes e
liga-se à tradição teatral e
à pintura moderna, utilizando a
estilização dos temas e a
fantasia.
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