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Teatro

As origens do teatro estão envoltas em obscuridade, embora esteja demonstrado o seu parentesco com os ritos das religiões primitivas. O berço do teatro ocidental foi a Grécia. Essa influência ainda hoje se nota, não só na evolução do drama, mas também em certas palavras, tais como drama, orquestra, cena, tragédia, comédia, teatro etc.

Antigüidade. O drama clássico (Ésquilo, Sófocles, Eurípides, Aristófanes) surgiu em Atenas no século V a.c., associado com o culto de Dioníso. Ali eram representadas tragédias, comédias e dramas satíricos por atores que traziam as vestes e as máscaras dos ritos. O drama alcançou maior firmeza na ação e um diálogo mais vivo quando o número de atores aumentou de 2 para 3 e quando foram reduzidos os interlúdios obrigatórios do coro. O palco, que de início era simplesmente uma rotunda plana, a orquestra, com um altar no meio, foi dotado de um cenário e de um número incessantemente maior de equipamento técnico. Os romanos tomaram o teatro dos gregos e desenvolveram a arte de representar e a arquitetura teatral em formas cada vez mais ricas. Os anfiteatros tornaram-se magníficos centros de reunião para um público que ali ia ver, não só as tragédias e comédias tradicionais, mas alcançaram grande popularidade. Os teatros passaram a ter cortinas e tetos improvisados e as mulheres foram admitidas em cena.

Idade Média. Durante alguns séculos travou-se uma luta violenta entre o teatro e a Igreja, a qual terminou primeiro com a queda do Império romano. Foi, no entanto, a Igreja que insuflou nova vida non teatro. Nas grandes festas religiosas tentou-se explicar, inicilamente, ao grande público das igrejas a mensagem da Bíblia, que era apresentada na missa em latim. Por volta do ano 900 da nossa era surgiu no campo religioso um novo teatro e um novo drama, que assumiu a forma de mistérios, de milagres e moralidades. Atores profissionais de feira e saltimbancos desenvolveram este antigo mimo na commedia dell'arte, que, com as suas improvisações e personagens fixas, tornou o teatro mais uma vez um entretenimento popular indispensável.

Idade Moderna. Uma nova fase começou com as tentativas do Renascimento no sentido de reviver as formas clássicas da arte. Na Itália surgiu o primeiro teatro fechado e coberto e em breve os arquitetos italianos entraram em grande atividade por toda a Europa ocidental. Por toda a parte se construíram teatros de Corte, cujas possibilidades de criar um mundo de ilusão foram pouco a pouco aumentadas por meio de novos achados técnicos e decorativos. Mas um teatro deste tipo era essencialmente um teatro para pessoas de distinção e nele se representavam principalmente dramas e óperas neoclássicas. Por outro lado, um teatro para o povo foi criado na Espanha e na inglaterra. Em estrados relativamente simples nasceram dramas de reputação universal, cujos autores são Lope de Vega (1526-1635), Calderón (1600-1681), Marlowe (1564-1593) e Shakespeare (1564-1616). No sentido XVII o desenvolvimento do teatro situa-se em Paris, que desde então se tornou o centro propulsor do teatro europeu. Em teatros ricamente equipados, estilo Renascença e Barroco, foram montadas e representadas as peças de Moliére e dos dramaturgos clássicos franceses. O século XVIII é o século dos grandes atores, quando a arte de representar se liberta das convenções que lhes legara já tardiamente o rúgido classicismo francês.

Teatro Contemporâneo. Um repertório burguês, um novo auditório, novos teatros particulares e a importância crescente do encenador caracterizam o desenvolvimento do teatro no século XIX. O Romantismo deixa as suas marcas tanto nas peças escritas como no estilo da arte de representar, sendo seguido pelos grandes dramas realistas contemporâneos de F. Hebbel (1813-1863), H. Ibsen (1828-1906), G. Hauptmann (1862-1946) e A. Strindberg (1842-1912). A iluminação a gás e a luz elétrica, o palco giratório etc., puseram novos meios revolucionários nas mãos dos criadores do teatro do tempo: André Antoine (1872-1966) em Londres, Max Reinhardt (1873-1943) na Alemanha, e Constantino Stanislavski (1863-1938) em Moscovo. No nosso século o naturalismo tem alternado com o Expressionismo e o simbolismo e, atualmente, o teatro passa por uma nova fase de desenvolvimento em que se tenta reduzir a distância entre o palco e o auditório, ao mesmo tempo que o maquinismo teatral aperfeiçoado vai sendo simplificado sob muitos aspectos. Os dramas hiperpsicológicos das últimas décadas têm cedido cada vez mais o passo às escolas realistas e a um tipo de teatro de alto efeito dramático e carregado de simbolismo. A rádio e a televisão permitiram levar o teatro a um público novo e mais vasto.

Teatro Brasileiro

Luís Carlos Martins Pena (1815-1848) pode ser considerado o fundador do teatro nacional com a suas 20 comédias, a primeira das quais O Juiz de Paz na Roça, estreou em 1838 com João Caetano (1808-1863), o primeiro ator profissional brasileiro. Os autos anchiteanos foram um meio de catequese para os índios, não uma forma generalizada de expressão dramática. Martins Pena foi o marco inicial da fixação dos costumes brasileiros, explorados a seguir por Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, França Júnior e Artur Azevedo. No drama histórico de inspiração romântica destacam-se Gonçalves Dias, Machado de Assis, Coelho Neto, João do Rio, Gastão Tojeiro, Armando Gonzaga. No drama intimista, Roberto Gomes, Paulo Gonçalves e Cláudio de Souza. Em 1917, fundava-se a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais em defesa dos direitos autorais dos escritores de teatro. Nas décadas de 1920 e 1930 os atores brilhantes e propensos à improvisação como Leopoldo Fróes, o português Chaby Pinheiro, e Procópio Ferreira. Reagindo ao atraso do teatro, o dramaturgo Renato Viana fundou várias escolas de arte dramática e companhias teatrais. Eugênia e Álvaro Moreyra fundaram o Teatro de Brinquedo, do qual participaram também como fundadores, escritores e artistas que não tardaram em firmar seus nomes: Luís Peixoto, comediógrafo e poeta; Heckel Tavares, compositor; Alvarus, desenhista; Brutus Pedreira, tradutor; e Joraci Camargo (Deus lhe Pague), o iniciador do teatro social do Brasil. Artistas portugueses, vindos em excursão, tiveram grande e duradoura influência nos palcos nacionais: Furtado Coelho, Lucinda Simões, Alexandre Azevedo, Cia. Amélia Rey-Colaço Robles Monteiro.

Moderna Dramaturgia. O início da nova era do teatro brasileiro pode ser assinalado pela estréia em 1943 de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, numa encenação de Ziembinski, pelo grupo Os Comediantes. As atividades deste grupo e a de seu precursor imediato, o Teatro do Estudante do Brasil, dirigido por Pascoal Carlos Magno, provocaram o despertar de uma dramaturgia empenhada nos problemas nacionais visando à transposição cênica das conquistas técnicas do moderno teatro europeu. Outras contribuições valiosas de artistas estrangeiros, além de Ziembinski, foram as de madame Stypinska, da Polônia, e S. Turkow, que deram alento à fase profissional de Os Comediantes. Em São Paulo, depois das experiências do Grupo Universitário de Teatro e do Teatro Experimental, dirigidos respectivamente por Décio de Almeida Prado e Alfredo Mesquita (fundador da Escola Dramática de São Paulo), surgiu em 1948 o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), fundado pelo industrial italiano Franco Zampari. O TBC dominou durante uma década o panorama nacional e tornou-se a fonte de várias outras companhias teatrais, como Teatro Cacilda Becker, Nydia Lícia-Sérgio Cardoso, Tônia Carrero-Celi-Paulo-Autran, Teatro dos Sete, Teatro Maria Della Costa. Outras companhias se formaram posteriormente, como o Teatro de Arena, onde se revelaram Augusto Boal, Oduvaldo Viana Filho, Gian Francesco Guarnieri. Salientam-se ainda na dramaturgia brasileira contemporânea Jorge de Andrade e Ariano Suassuna, que retoma na língua portuguesa o caminho aberto por Gil Vicente, com os seus autos de inspiração popular e sentimento religioso (Auto da Compadecida). Em 1954, surgiu a Companhia Dramática Nacional, que apresentou, além de Nelson Rodrigues, R. Magalhães. Junior, Guilherme Figueiredo e outros. Nesta mesma década e nas seguintes, surgiram Pedro Bloch, Raquel de Queiróz, Lúcio Cardoso, Dias Gomes, Antônio Callado, Millôr Fernandes, João Bethencourt, etc. Silveira Sampaio afirmou o gênero comédia de costumes cariocas. No teatro infantil, Lúcia Benedetti iniciou uma época a que Maria Clara Machado trouxe grande importância (O Cavalinho Azul). Além do Rio-São Paulo, o movimento teatral no Recife, com as companhias Teatro de Amadores de Pernambuco e Teatro Popular do Nordeste, ganhou importância nacional. Na década de 1960, Plínio Marcos se afirma como autor na linha do realismo social, e José Vicente e Antônio Bivar, na linha de pesquisa, com o chamado teatro-participação (Hair; Jesus Cristo Superstar). As companhias de maior atividade são Teatro Oficina, Altair Lima, Ruth Escobar e Teresa Raquel. Os atores Dulcina de Morais (melhoria do repertório), Procópio Ferreira, Jaime Costa e Iracema de Alencar (excursões pelo interior), Cacilda Becker (interpretação), Luís de Lima (introdução de Ionesco, da mímica como espetáculo, do teatro épico moderno), Paulo Autran, Sérgio Cardoso, Maria Fernanda, Fernanda Montenegro, Natália Timberg, Cleide Yaconis, Glauce Rocha etc. contribuíram pelo talento e consciência profissional.

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A História da Fotografia


A primeira pessoa no mundo a tirar uma verdadeira fotografia, se a definirmos como uma imagem inalterável, produzida pela ação direta da luz, foi Joseph Nicéphore Niepce, em 1826. Ele conseguiu reproduzir, após dez anos de experiências, a vista descortinada da janela do sótão de sua casa, em Chalons-sur-Saône. Oriundo da Borgonha, Niepce era um homem arredio, dedicado à invenção de aparelhos técnicos, e interessara-se pela produção de imagens por processos mecânicos através da ação da luz em 1816, três anos depois de começar a trabalhar com litografias. O resultado de suas primeiras tentativas foram negativos de baixa densidade, expostos sobre papel tratado com cloreto de prata e precariamente fixados com ácido nítrico.
Assim, por volta de 1822, já optara por um verniz de asfalto (betume da Judéia), aplicado sobre vidro, além de uma mistura de óleos destinada a fixar a imagem. Com esses materiais, obteve a fotografia das construções vistas da janela de sua sala de trabalho, após uma exposição de 8 horas. Contudo, aquele sistema heliográfico era inadequado para a fotografia comum, e a descoberta decisiva seria feita por um cavalheiro muito mais cosmopolita: Louis Daguerre.
Ela ocorreu em 1835, quando Daguerre apanhou uma chapa revestida com prata e sensibilizada com iodeto de prata, e que apesar de exposta não apresentara sequer vestígios de uma imagem, e guardou-a, displicentemente, em um armário. Ao abri-lo, no dia seguinte, porém, encontrou-se sobre ela uma imagem revelada. Criou-se uma lenda em torno da origem do misterioso agente revelador, o vapor do mercúrio, sendo atribuído a um termômetro quebrado; entretanto, é mais provável que Daguerre tenha despendido algum tempo na busca daquele elemento vital, recorrendo a um sistema de eliminação.
Em 1837, ele já havia padronizado esse processo, no qual usava chapas de cobre sensibilizadas com prata e tratadas com vapores de iodo e revelava a imagem latente, expondo-a à ação do mercúrio aquecido. Para tornar a imagem inalterável, bastava simplesmente submergi-la em uma solução aquecida de sal de cozinha.
Em julho de 1839, Daguerre vendeu sua invenção, o daguerreótipo, ao governo francês, recebendo em troca uma pensão vitalícia, no valor de 6.000 francos.
Embora os primeiros daguerreótipos fossem de má qualidade a imagem era invertida, possuía pouco contraste tonal e o tempo de exposição variava entre 15 e 30 minutos, os aperfeiçoamentos não se fizeram esperar. A sensibilizada das chapas foi aumentada, graças ao início do uso do brometo de prata como acelerador; a posição da imagem foi corrigida com o acréscimo de prismas à objetiva; e, quando o ouro foi incorporado ao processo de fixação, o brilho metálico transformou-se no célebre tom violáceo-escuro.
As enormes máquinas fotográficas que existiam inicialmente logo foram acrescentadas outras, capazes de tirar fotografias cujas dimensões eram de 1/3, 1/4, 1/6, 1/8 do tamanho original da chapa (21,6 x 16,5 centímetros)
Todavia, foi Josef Petzval, um matemático húngaro radicado em Viena, o autor da inovação de maior alcance, fabricando, no ano de 1830, uma nova lente dupla (acromática), formada por componentes distintos: com uma abertura de f 3.6, era trinta vezes mais rápida do que a lente Chevalier comumente empregada, e desse modo ele conseguiu que os tempos de exposição sofressem uma redução drástica.
Mais do que qualquer outro, foi esse invento o responsável pela imediata popularização do daguerreótipo e, na verdade, da fotografia.
Em termos práticos, ainda não se chegara à invenção certa, pois até então se obtinha apenas o positivo, ou seja, uma única fotografia.
Embora o lançamento dos daguerreótipos, promovido com inteligência, criasse a fotografia, foi um inglês, Fox Talbot, que inventou o primeiro sistema simples para a produção de um número indeterminado de cópias, a partir da chapa exposta, lançando assim as verdadeiras bases para o desenvolvimento desse veículo de comunicação.
Se a contribuição de Daguerre à fotografia foi extensa mas temporária, a de Talbot foi mais restrita, porém duradoura. Embora Talbot permitisse aos amadores e cientistas usarem livremente seu processo, exigia, à semelhança de Daguerre, que os profissionais obtivessem uma autorização paga. Apesar de contar com o apoio de eminentes cientistas, Talbot terminou perdendo uma ação judicial, sobre patentes, movida contra o fotógrafo londrino Laroche. Este contestara, em 1852, sua alegação de que os processos químicos do calótipo e o novo sistema de colódio úmido seriam, em essência, praticamente idênticos. Não obstante, a reivindicação de Talbot, no tocante à prioridade da invenção, foi confirmada pelos tribunais ingleses.
Entretanto, antes mesmo da relutante capitulação de Talbot, seu método já fora superado pelo processo de colódio úmido, inventado por Frederick Scott Archerm, em 1851. Esse sistema incluía o revestimento de uma chapa de vidro com uma solução de nitrato de celulose, onde havia um iodeto solúvel, e sua sensibilização com nitrato de prata. A chapa era umedecida antes de ser exposta na máquina fotográfica, sendo depois revelada com pirogalol ou com um sal ferroso.
O colódio úmido, embora fosse inconveniente, pouco flexível e bastante complexo, acabou produzindo excelentes resultados e foi o responsável direto pelo nascimento da fotografia temática, área onde se destacavam como exemplos mais célebres as fotos tiradas por Roger Fenton durante a Guerra da Criméia e por Mathew Brady durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Ao se advento pode ser também atribuída a morte do daguerreótipo, pois, além de menos dispendioso, o novo processo possibilitava a obtenção de cópias, sem maiores problemas.
No final da década de 1870, porém, a própria chapa úmida tornara-se obsoleta. Em 1871, Richard Leach Maddox, um médico inglês, inventou a primeira chapa manipulável, usando gelatina para manter o brometo de prata no lugar; dois depois, era comercializada a emulsão gelatinosa, e por volta de 1877, encontravam-se no mercado placas de alta sensibilizada, acondicionados em caixas, prontas para serem usadas. Já não havia mais necessidade de untar as chapas antes da exposição, ou de revelá-las imediatamente após.
Contudo, a chapa seca de gelatina não se limitou a simplificar a técnica fotográfica, tendo ocasionado ainda uma revolução no desenho das câmeras, reduzindo o equipamento do fotógrafo ao mínimo indispensável usado até hoje. O novo material era rápido o suficiente para o registro de cenas em movimento, desde que as máquinas fossem providas de um obturador instantâneo. Os fabricantes reagiram de imediato e, no decorrer das duas décadas subseqüentes, o mercado foi tomado de assalto por máquinas de todos os tamanhos e formatos.
Pouco depois de o papel de brometo rápido tornar possíveis as ampliações, as máquinas fotográficas portáteis, cujas medidas eram de um quarto da placa e 12,70 x 10,16 centímetros, firmaram-se como expoentes de popularidade na Grã-Bretanha e América do Norte, tendo como equivalente, na Europa, uma câmera com 12 x 9 centímetros.
A nova geração, mais leve, compacta e de manejo relativamente fácil, incluía quatro modelos principais: com change box, com magazine, com chassi e filme em rolo, além da reflex.
A primeira, surgida na década de 1850, era vendida com mais ou menos dez chapas de vidro ou de filme recortado, em uma change box sobressalente; ao ser acoplada à máquina, ela permitia que o filme fosse trocado à luz do dia. A câmera com magazine trazia entre doze a quarenta placas ou filmes recortados, em um magazine e um compartimento situados em seu interior, sendo a chapa substituída, após a exposição, por meio de diversos métodos, dos quais o mais comum consistia em deixar a placa usada cair no fundo do corpo da máquina. As câmeras com chassis e filmes em rolo usavam películas flexíveis ao invés de chapas de vidro ou filmes recortados, e terminaram por suplantar as outras. Um dos primeiros exemplos é a máquina dobrável, de filme em rolo, de Warnercke: surgida em 1875, caracterizava-se por um trilho único e um mecanismo de transporte.
Quase imediatamente após a primeira exposição das obras de Daguerre, teve início a grande polêmica sobre a fotografia: deveria ela competir com a pintura e seria, de fato, uma forma de arte? A princípio, os fotógrafos pareciam dar-se por satisfeitos com o mero registro daquilo que viam, porém os adeptos da interpretação logo começaram a fazer experiências com diversos estilos, onde imitavam a pintura da época: alguns, com Oscar Rejlander e Henry Peach Robinson, preocupados sobretudo com paisagens, recorriam a técnicas intrincadas de manipulação em uma tentativa deliberada de obter, através da fotografia, uma recriação da cena existente diante da câmera.
E aquela controvérsia, onde se incluíam aspectos tão diversos do problema, campeou durante toda a era vitoriana. Cabia à nova técnica reproduzir ou interpretar? Seriam válidos os novos métodos de manipulação? A fotografia era um veículo de comunicação gráfica ou uma forma de arte? Vezes sem conta, a discussão perdia-se em uma semântica condescendente. Por fim, tornou-se clara a questão principal, a aceitação ou rejeição da fotografia como arte, e desencadeou-se a guerra, contribuindo para a formação de dois grupos de maior destaque: The Linked Ring, liderado por Robinson e George Davison, e surgido na Inglaterra em 1892, e o Photo-Scession, reunido dez anos mais tarde na América do Norte, sob a orientação de Alfred Steiglitz, no qual se incluíam Alvin Langdon Coburn e Edward Steiglitz. Essas duas organizações tentavam granjear, para a fotografia pictorialista, o reconhecimento como uma das belas-artes.
Os secessionistas foram particularmente bem sucedidos em salientar os altos méritos estáticos da fotografia, enquanto Eastman, por sua vez, tentava torná-la acessível a milhões de pessoas. A partir daquela época, a fotografia teve um desenvolvimento notável em todas as áreas; não obstante, algumas das restrições originais subsistem: embora ela talvez seja o meio de comunicação visual mais importante de nossos dias, existe ainda uma certa relutância em conceder-lhe o lugar que lhe cabe no cenário artístico.
Se o mérito de tornar os prazeres da fotografia acessíveis ao público cabe a uma única pessoa, ela é, incontestavelmente, George Eastman.
Seu interesse pela nova técnica foi despertado em 1877, tinha então 23 anos de idade e era funcionário de um banco situado em Rochester, Nova York, quando comprou o equipamento necessário ao processo de colódio úmido e começou a ter aulas com um profissional, em sua cidade. Contudo, sentia uma crescente insatisfação com aquele processo confuso, trabalhoso e dispendioso.
Por volta de 1880, Eastman já havia começado a fabricar e vender sua própria produção, e no ano seguinte deixou o emprego no banco para fundar a Eastman Dry Plate Company (Companhia Eastman de Chapas Secas).
Em 1884, William H. Walker, um fabricante de máquinas fotográficas, ingressou na firma e juntos, ele e Eastman, inventaram um acessório, um chassi, que, além de encerrar um rolo de papel montado sobre uma base protetora e suficiente para 24 exposições, podia ser encaixado em qualquer câmera padrão, para fotos em chapa.
Eastman ambicionava, porém, elaborar um sistema fotográfico através do qual a pessoa simplesmente tirasse a foto, e nada além disso.
Depois de uma tentativa coroada por relativo sucesso, em 1886, ele lançou a Kodak (um nome para ser pronunciado em qualquer país do mundo), no ano de 1888. Tratava-se de uma câmera pequena (9,2 x 7,9 x 16,5 centímetros); o chassi completo encerrava um rolo de filme com 6,35 centímetros de largura, com o qual se obtinham cem exposições circulares. O obturador cilíndrico era armado por cordão e disparado por meio de um botão; o filme era transportado quando se girava um pino e a máquina tinha apenas uma velocidade (1/25 segundo), uma abertura e uma objetiva retilínea de foco fixo. E foi aquela a verdadeira revolução, pois o fotógrafo agora devia apenas bater a chapa.
Eastman oferecia ainda um serviço complementar de todo o processamento: o dono enviava a câmera de volta à fábrica e ela lhe era devolvida recarregada e com cem cópias montadas em cartão. O preço da máquina era de 25 dólares na América do Norte e 10 guinéus na Grã-Bretanha; o serviço ficava em 10 dólares, ou 2 guinéus.
Eastman sentia-se preocupado com o alto custo necessário ao processamento do filme destacável. Henry M. Reichenbach, um dos químicos da companhia, procurava aprimorar o espesso celulóide, então disponível em forma de filme plano, pois pretendia descobrir um material tão flexível quanto o papel, e tão transparente quanto o vidro. No início de 1889, já havia conseguido aperfeiçoá-lo, e naquele mesmo ano iniciou-se a produção de filmes em celulóide transparente tanto para a Kodak como para as máquinas de filmes em rolo.
Também em 1889, Eastman lançou mais duas câmeras: uma nova versão da kodak com um obturador modificado (denominado N.° 1) e um modelo maior, capaz de tirar negativos com 8,9 centímetros de diâmetro.
Por volta de 1890, já existiam no mercado mais cinco modelos, dois deles dobráveis. Todos utilizavam filmes em rolo, colocados no laboratório. As câmeras que podiam ser carregadas à luz natural foram introduzidas no mercado no ano seguinte.
Embora tanto a produção quanto os progressos fossem notáveis, Eastman ainda tentava encontrar métodos para reduzir os preços, e solucionou o problema com o filme de rolo em cartucho: a Kodak de bolso começou a ser vendida em 1895 por 1 guinéu, ou 5 dólares. Era uma câmera de dimensões muito menores (5,7 x 5,7 x 7,8 centímetros), tirando doze fotografias de 3,80x 6,35 centímetros. Um novo modelo dobrável, destinado a aumentar o tamanho das fotos, surgiu em 1897.
Espantosamente, Eastman foi ainda mais longe. Havia milhões de pessoas com baixo poder aquisitivo, e isso deu ensejo à criação de um novo modelo, mais simples. Apesar de ter sido idealizado por Frank. A. Brownell em 1900, recebeu o nome de uma personagem contemporânea de histórias em quadrinhos, de autoria de Palmer Cox. Tratava-se da Brownie, talvez a máquina fotográfica mais célebre da história, capaz de tirar fotos de qualidade, com 6 x 6 centímetros, em filme de rolo em cartucho ao preço de 5 xelins, ou 1 dólar.
Enquanto Eastman estava ocupado com a conquista do novo mercado popular, lançavam-se os alicerces das áreas mais sofisticadas da fotografia. A primeira máquina de duas objetivas, com lentes interligadas, de foco simultâneo, foi fabricada por R. & J. Beck, em 1880; em 1888, S. D. McKellen tirou a patente da primeira máquina reflex na qual o espelho deslocava-se automaticamente durante a exposição, pois era ligado a um obturador de cortina.
Desde o início deste século, a história passou a caracterizar-se mais pelo refinamento e aperfeiçoamento do que por inovações ou invenções: a Ermanox, com chapa única de precisão, f. 1.8 (1924); a excelente Leica, precursora de todas as câmeras de 35 mm (1925); a Rolleiflex TLR (ou reflex de objetivas gêmeas), projetada por Franke e Heidecke (1928); a SLR (ou reflex monobjetiva) de 35 mm (surgida na década de 30); o filme Kodachrome em 16 mm (1935) e 35 mm (1936); o Polaroid em branco e preto (1949) e em cores (1963); e a Instamatic de cartucho 126, lançada, também, em 1963.

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Cinema

O cinema é chamado de sétima arte porque, no século XX, juntou-se a outras seis tradicionalmente consideradas: arquitetura, literatura, pintura, música, dança e escultura. Ao contrário do que acontece com estas, existe um data para comemorar o nascimento do cinema: dezembro de 1895. Foi quando os irmãos Lumière promoveram em Paris a primeira sessão pública de seu invento, o cinematógrafo, mostrando cenas cotidianas. E sabe da maior? Não faltou quem dissesse que aquilo era uma moda passageira...
Desde a pré-história, os homens tentaram reproduzir figuras em movimento, como os artistas que pintaram nas grutas de Altamira animais correndo, desenhando as patas em distintos momentos da corrida. Também os antigos baixos-relevos egípcios e gregos mostram figuras no ato de se movimentarem, ainda que aquela permaneça imóvel.
O fenômeno da persistência retiniana, no qual uma impressão visual permanece na retina, só desaparecendo pouco a pouco, já havia sido, constatado por Aristóteles e por Lucrécio na Antigüidade. O físico árabe Al-Hazen estudou o fenômeno e descreveu, por volta do ano 1.000, como os raios de luz de um objeto iluminado, ao penetrar através de um pequeno orifício em um compartimento escuro - a câmera escura -, formam uma imagem invertida do objeto na parede oposta. Baseando-se nessas duas descobertas, os investigadores prosseguiram as experiências sobre o assunto, durante os séculos seguintes. Descobriu-se que, mostrando várias imagens em sucessão suficientemente rápida, o olho, por inércia, capta-as como uma só, de conteúdo cambiante. O fenômeno da imagem projetada na câmera escura, através de um orifício, permitiu a invenção da máquina fotográfica. No princípio, desenhava-se a imagem obtida, mas, com o avanço da técnica da fotografia no século XIX, pôde-se fixá-la em uma placa.
Em breve, um novo material, o filme ou película, substituiu as pesadas placas. O filme pode passar rapidamente através de uma máquina fotográfica, captando várias imagens por segundo. Inventou-se um mecanismo para fazer avançar o filme sempre que se obtinha uma fotografia, enquanto se impedia a entrada da luz com um diafragma. Depois de revelado o filme, as imagens eram iluminadas por trás, por meio de um aparelho semelhante, e reproduzidas em uma tela em ritmo sincronizado. Na projeção, a imagem invertida endiretamente de novo.
Para produzir ilusão de movimento, é preciso mostrar uma série de imagens de modo tão rápido que olho não possa perceber descontinuidade entre elas. A fita de cinema mudo passava 16 imagens por segundo. Um diafragma giratório obstruía a passagem da luz, ao passar o filme, e deixava passar a luz enquanto se mostrava a imagem.
Na década de 1920-1930, apareceu o filme sonoro. Os impulsos elétricos do microfone de captação do som eram convertidos em variações luminosas e mais tarde "fotografadas" à margem do filme. Este sistema foi substituído posteriormente por um registro sonoro magnético, do mesmo tipo dos gravadores, de qualidade sonora mais pura. Esse registro é depois "lido" por um dispositivo do projetor. A fita ou filme passa continuamente pelas cabeças de gravação que registram e copiam. Para conseguir uma boa qualidade de som, o filme deve avançar mais rapidamente que na época do cinema mudo, fazendo-o, no filme sonoro, à velocidade de 24 imagens por segundo.
A fita cinematográfica de Lumière tinha 35 mm de largura, que é ainda o formato mais corrente. Para amadores, exibição em colégios, etc., foram idealizados, depois, formatos mais estreitos (8 e 16 mm).
Um retângulo de 2 x 3 m foi, durante 50 anos, o formato usual da imagem projetada. Nos últimos 20 anos, contudo, várias modificações foram introduzidas. Variou a superfície de imagem do filme e mudou o sistema ótico do projetor pela utilização de filmes mais largos. Passo-se também a empregar a filmagem com várias câmeras e a projeção por várias máquinas ao mesmo tempo, com o fim de abranger uma porção mais ampla do campo visual do espectador. Simultaneamente, foi criado o som estereofônico com a superposição de vários registros na banda sonora e a colocação de vários alto-falantes na sala, aumentando a sensação de realidade no "espectador-ouvinte".
Também a utilização da cor permitiu reforçar a sensação de realidade e aumentar as possibilidades estilísticas. O cinema em cores baseia-se, em geral, no método substantivo, que emprega filmes com três camadas sobrepostas, sensíveis às três cores primárias (azul, verde e vermelho).
Abaixo estão os principais acontecimentos da história da sétima arte:

1895
Os irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948) criaram a câmara de vídeo, futuramente patentiada. Em 28 de dezembro, eles promovem a primeira sessão pública do cinematógrafo, no Grand Café do Boulevard des Capucines, em Paris, com a exibição de dez filmes, entre eles A Saída dos Operários da Fábrica Lumière.

1896
Charles, Émile, Jacques e Thêophile Pathé fundam a Pathé Frères, estúdio que em 1908 já é um império internacional.
The Kiss, de Edison, mostra em close-up um beijo entre John Rice e May Irwin.
Em 8 de julho, é realizado no Rio de Janeiro a primeira sessão de cinema no Brasil.

1897
Inaugurada a primeira sala regular de cinema no Brasil, na rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

1898
Em 19 de julho, Afonso Segreto roda o primeiro filme brasileiro: a Baía de Guanabara fotografada de navio.
Surgem os primeiros filmes com trechos coloridos de maneira primitiva, sobre a película já filmada.

1899
Sai King John, a primeira das mais de 200 adaptações cinematográficas de Shakespeare.
A Eastman Kodak estabelece o formato padrão de filme cinematográfico para uso profissional, com 35mm de largura e quatro perfurações ao lado de cada fotograma. Em 1917, a Sociedade dos Engenheiros Cinematográficos dos EUA adota essas dimensões como oficiais.

1902
O filme Viagem à Lua, de Georges Méliès, introduz a ficção científica no cinema.

1903
Edwin S. Porter faz O Grande Roubo do Trem, precursor dos faroestes que apresenta uma seqüência colorida na própria película.

1905
É fundado
o Variety, jornal que se tornou a bíblia da indústria de espetáculos. A partir de 1930, enfrenta a concorrência do Hollywood Reporter.

1906
George Albert Smith patenteia o Kinemacolor, primeiro processo comercial para filmes coloridos.

1910
Vida de João Cândido, de autor desconhecido, é o primeiro filme nacional a trazer um personagem negro, um marinheiro que liderou a Revolta da Chibata, no Rio.

1911
É lançado Little Nemo, de Winsor McCay, primeira tentativa autêntica de produzir um filme animado com perspectiva e movimento.

1912
Carl Laemmle funda a Universal Pictures, vendida em 1962 para a agência de talentos MCA, por sua vez comprada em 1990 pelo grupo japonês Matsushita.

1913
Hollywood, subdivisão política da cidade de Los Angeles, começa a tornar-se o centro da produção cinematográfica dos EUA. Dos grandes estúdios, apenas a Paramount permanece ali hoje; os demais transferiram-se para outras regiões de LA.

1914
Sai Darktown Jubille, o primeiro filme americano inteiramente realizado por negros.

1915
O Nascimento de Uma Nação, realizado por D.W.Griffith, é uma apologia do racismo que reúne inovações como uso de panorâmica e montagem alternada. Foi o primeiro filme a romper a barreira dos US$ 10 milhões de bilheteria e a ser exibido na Casa Branca.

1916
Intolerância, de Griffith, épico sobre o preconceito, explora ainda mais os recursos reunidos em O Nascimento de uma Nação.
A fusão da Famous Players, criada por Adolph Zukor, em 1912, com a Jesse L. Lasky Feature Players dá origem à Paramount.

1917
Criada em 8 de dezembro a Universum Film (UFA), durante muitos anos o principal estúdio alemão.

1918
The Sinking of the Lusitania, de Winsor McCay, provavelmente o primeiro longa de animação.

1919
Em 27 de agosto, Lênin assina decreto nacionalizando o cinema tzarista; em 1922, os estúdios reabrem.
Mary Pickford, Douglas Fairbanks, Charlie Chaplin, William S.Hart e D.W.Griffith fundam a United Artists, em 1981 incorporada à MGM e desde então pertencente ao grupo australiano Qintex.
Robert Wiene realiza o filme-marco do expressionismo alemão, O Gabinete do Dr.Caligari.

1921
845 filmes norte-americanos são lançados nos cinemas dos EUA, recorde ainda não igualado.

1922
É criada a Montion Picture Producers and Distributors of America, principal instrumento de lobby do cinema nos EUA.

1923
Harry, Albert, Jack e Sam Warner fundam a Warner Brothers. Em 1989, o grupo Warner Communications uniu-se à Time, Inc. para criar a maior companhia de mídia do mundo.
Walt e Roy Disney fundam a Disney Brothers Studio, que deu origem a The Walt Disney Company.

1924
A Metro Pictures, de Marcus Loew e Nicholas Schenk, incorpora a Goldwyn Pictures e associa-se a Louis B. Mayer, dando origem à Metro-Goldwyn-Mayer, o mais famoso estúdio de Hollywood nos anos 30.
Os irmão Harry e Jack Cohn unem-se a Joseph Brandt para fundar a Columbia, adquirida em 1981, pela Coca-Cola Company.

1925
Sergei M. Eisenstein realiza O Encouraçado Potemkin, clássico do cinema político, e coloca em prática suas idéias sobre "montagem das atrações". Esteve proibido no Brasil de 1964 a 1980.

1927
A Fox produz curtas e seu primeiro filme de atualidades utilizando o sistema Movietone, que grava o som diretamente na película. Aurora, de Murnau, é lançado apenas com música na trilha, sem diálogos. O Cantor de Jazz, que usa o Vitaphone (sistema de sonorização em discos), tem cenas musicais sincronizadas e dois trechos com diálogos.
Napoleão, de Abel Gance, introduz o sistema de projeção Polyvision, de tela tripla. Em 1956, Gance registra outro sistema de projeção tripla, o Magirama. Napoleão é restaurado em 1981 com trilha de Carmine Coppola.
Em 11 de janeiro, 36 profissionais, entre eles Harold Lloyd e Mary Pickford, fundam a Academia de Artes e Ciências Cinematográfica de Hollywood. Hoje ela tem quase 5 mil membros.

1928
Steamboat Willie apresenta o personagem-símbolo de Walt Disney e introduz o som sincronizado em cartoons.
Joseph Kennedy e David Sarnoff fundam a RKO, adquirida por Howard Hughes em 1948 e pelo grupo General Teleradio em 1955. Foi extinta em 1957.


1929
Em 6 de maio, a Academia realiza a primeira cerimônia de entrega do Oscar a filmes exibidos em Los Angeles de agosto de 1927 a julho de 1928. Asas, de William Wellman, ganha o prêmio de melhor filme.
Após vários escândalos, os estúdios americanos adotam um "código de produção" moralista, batizado Código Hays. Em 1934, cria-se um organismo para implantar a autocensura: a Administração do Código de Produção.
Um Cão Andaluz, dirigido por Luis Buñuel e co-escrito por Salvador Dali, torna-se o marco do surrealismo no cinema.

1930
Adhemar Gonzaga funda, no Rio de Janeiro, a Cinédia.

1932
Quatro filmes dividem o Leão de Marcos na primeira edição do festival de Veneza, entre eles A Nous la Liberté, de René Clair.
Inaugurado, em 27 de dezembro, o Radio City Music Hall, ainda hoje o maior cinema do mundo, com 5.874 lugares.
Rouben Mamoulian torna-se precursor no uso do zoom com Ama-me Esta Noite.

1933
O Desertor, de Vsevolod Pudovkin, é um dos precursores no uso do recurso da câmera lenta, numa cena de suicídio.

1935
Surge a 20th Century Fox, fruto da associação entre a Fox Film Corporation de William Fox e a 20th Century Pictures de Joseph Schenck e Darryl F. Zanuck.
Vaidade e Beleza, de Rouben Mamoulian, é o primeiro longa inteiramente colorido. Usa o processo Techicolor. Nos anos 50, surge o Eastmancolor, que exige menos luz durante as filmagens e cujo processo é mais simples e barato.
Mae West torna-se a mais bem paga mulher dos EUA, ao faturar durante o ano US$ 480 mil.
Herbert J. Yates funda a Republic, fechada em 1958.

1936
Início das transmissões públicas e regulares de TV em Londres.

1937
Branca de Neve e os Sete Anões, primeiro longa de Walt Disney, rompe a barreira de US$ 50 milhões de bilheteira.
O maior complexo do cinema europeu, Cinecittà, é fundado nas proximidades de Roma.

1939
O ano de ouro de Hollywood:...E o vento levou, O Mágico de Oz, No Tempo das Diligências, Adeus Mr.Chips, Ninotchka, O Morro dos Ventos Uivantes, Gunga Din, A Mulher faz o Homem, Beau Geste, Duas Vidas...

1941
É fundada a Atlântida, no Rio de Janeiro, que se especializa em chanchadas e durante muitos anos concentra a maior parte da produção nacional.
Orson Welles realiza Cidadão Kane, inovador pelo uso de profundidade de campo e movimentos de câmera, entre outros aspectos, e a partir dos anos 60 eleito por cineastas e críticos do mundo inteiro, em pesquisa da revista Sight and Sound, o melhor filme de todos os tempos.
John Huston lança Relíquia Macabra, mais tarde considerado o primeiro clássico do film noir.

1942
Mowgli, o Menino Lobo, de Zoltan Korda, torna-se o primeiro filme a ter sua trilha sonora (composta por Miklos Rozsa) lançada comercialmente.

1945
Roberto Rossellini dirige e Federico Fellini co-escreve o marco inicial do neo-realismo italiano, Roma, Cidade Aberta.

1946
A primeira edição do festival de Cannes dá o Grande Prêmio a A Batalha dos Trilhos, de René Clément. A Palma de Ouro só é criada em 1955.

1949
O estúdio Vera Cruz é fundado, em São Bernado dos Campo (SP).

1950
A atriz Ida Lupino estréia na direção com Quem Ama Não Teme e torna-se a primeira mulher a fazer carreira em Hollywood como produtora e diretora.
Flechas de Fogo, de Delmer Daves, é a primeira produção classe A de Hollywood a tratar índio como gente.
Rashomon, de Akira Kurosawa, revela para o Ocidente o cinema japonês.

1952
Bwana Devil é o primeiro filme em 3D lançado nos cinemas.
Cantando na Chuva, de Gene Kelly e Stanley Donen, representa a quintessência dos musicais.

1953
Estréia em Nova York O Manto Sagrado, primeiro filme rodado em CinemaScope, processo registrado pela Fox.
Lima Barreto ganha o prêmio de melhor filme de aventura no Festival de Cannes.

1954
François Truffaut publica nos Cahiers du Cinéma o artigo "Uma Certa Tendência do Cinema Francês", que estabelece as bases da "política dos autores". Nelson Pereira dos Santos lança Rio, 40 graus, considerado o precursor do Cinema Novo.

1955
O Homem do Braço de Ouro, de Otto Preminger, com Frank Sinatra no papel de um viciado em drogas, desafia o Código Hays.

1956
A primeira edição do Festival de Berlim dá o Urso de Ouro a Convite à Dança, de Gene Kelly.

1959
O filme Ben-Hur, de William Wyler, recebe onze Oscar, recorde absoluto até hoje.
O movimento francês da Nouvelle Vague entra em campo com Os incompreendidos, de Truffaut; Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais e Acossado, de Godard.

1961
O Passado me Condena, com Dirk Bogarde, é a primeira produção classe A em língua inglesa a falar abertamente de homossexualismo.
Jerry Lewis usa o videotape para controlar movimentos de atores e câmera em O Terror das Mulheres.
1962
O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, ganha o prêmio máximo no Festival de Cannes.
O Satânico Dr. No, primeiro dos 18 filmes com James Bond, inicia a mais bem-sucedida série da história do cinema.

1963
Cleópata, de Joseph L. Mankiewicz, custou US$ 44 milhões e foi durante muitos anos o mais caro filme da história.

1964
Os dois grandes filmes do Cinema Novo Brasileiro chegam as telas: Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

1965
Glauber Rocha publica o manifesto "Estética da Fome", divisor de águas do cinema brasileiro.

1967
A superprodução soviética Guerra e Paz teria custado US$ 100 milhões, o que a tornaria a mais cara da história até a realização de True Lies, 1994, de James Cameron.

1968
2001, uma Odisséia no Espaço torna-se um marco da ficção científica e do próprio cinema moderno.
O sistema classificatório de filmes substitui o Código Hays.

1970
A Paramount e a Universal fundam empresa de distribuição para atuar no exterior, a Cinema International Corporation (CIC), à qual se associam em 1981 a MGM e a United. Em 1982, ela vira United International Pictures (UIP).

1971
Stanley Kubrick gera polêmica em todo o mundo ao adaptar o romance Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, sobre a violência de uma sociedade futurista. O filme é censurado em vários países, inclusive o Brasil.


1972
O Poderoso Chefão, filme de Francis Ford Coppola, inaugura a fase arrassa-quarteirão no cinema americano: ou a fita é um grande sucesso, ou não é nada.

1975
Tubarão, filme de Steven Spielberg, é o primeiro a romper a barreira de US$ 100 milhões de bilheteria, e a produção estrangeira de maior público no Brasil (13 milhões de espectadores).
A Industrial Light & Magic, gigante dos efeitos especiais, surge como um pequeno grupo dedicado a criar truques visuais para o filme Guerra nas Estrelas, de George Lucas.

1976
Dona Flor e seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, é visto por 10,7 milhões de espectadores, o maior sucesso de público na história do cinema nacional.
Blound for Glory é o primeiro filme a usar Steadicam, sistema criado por Garret Brown e que permite filmar levando a câmera na mão, com imagem estabilizada. O recurso foi notabilizado por Stanley Kubrick, em O Iluminado.
O som em Dolby Stereo chega ao cinema.
O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima, é o primeiro filme "sério" com cenas de sexo explícito.

1977
A Matsushita introduz o formato VHS (Video Home-System), que passa a dominar o mercado nos anos 80.
Guerra nas Estrelas, filme de George Lucas, é um marco absoluto no desenvolvimento dos efeitos especiais; torna-se recordista de bilheteria.

1982
E.T, filme de Steven Spielberg, assume a liderança no ranking de bilheteria; em 1993, é destronado por Jurassic Park, também de Spielberg. Tron, uma Odisséia Eletrônica, dos Estúdios Disney, é o primeiro filme a produzir seqüências inteiras em computação gráfica.

1985
A Color System Technologies lança um sistema de colorização de filmes, comercializado por uma divisão da Turner, que introduziu um processo digital em 1987, através do qual a cor é acrescentada eletronicamente em videotape.

1988

Robert Zemeckis integra atores de verdade e desenho animado à perfeição em Uma Cilada para Roger Rabbit, que se torna um marco técnico.

1991
O Exterminador do Futuro 2, de James Cameron, orçado extraoficalmente em US$ 95 milhões, torna-se o mais caro filme da história (sem levar em conta os supostos US$ 100 milhões de Guerra e Paz); Arnold Schwarzenegger teria recebido o cachê recorde de US$ 15 milhões.
Final Approach, de Eric Steven Stahl, primeiro filme inteiramente gravado com tecnologia de som digital.

1993
Steven Spielberg lança Jurassic Park, o máximo - até então - em efeitos digitais e a maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 868 milhões.

1994
Em 12 de outubro, Steven Spielberg, David Geffen e Jeffrey Katzenberg (ex-Disney) anunciam sua parceria para a criação de um novo estúdio.

1995
É lançado Toy Story, primeiro longa metragem feito totalmente em computação gráfica.


Produção e público
Com imagens móveis e sons, pode-se mostrar a realidade e desenvolver ficções. A princípio, julgou-se que o cinema era um invento de interesse apenas para a ciência, mas rapidamente ficou demonstrada uma aplicação muito mais ampla. A cinematografia evoluiu a ponto de criar uma linguagem própria, convertendo-se em arte. A combinação da imagem e do som, no cinema, faz com que o espectador viva o relato como se fosse protagonista, proporcionando a esse meio de expressão uma imensa força de atração. A produção cinematográfica fez surgir uma grande indústria, com múltiplos interesses. No seu início o cinema adotou um estilo narrativo, consagrando-se, na maior parte, à história de aventuras; mas a própria realidade constitui, muitas vezes, o motivo das narrações filmadas, sobretudo nos chamados documentários. Os argumentos, mesmo quando imaginários, são filmados em ambientes reais, logrando, assim, um caráter mais intenso e verossímil. Durante certos períodos da história do cinema, predominou a filmagem "em locação". Mas nesse caso as tomadas podem se tornar onerosas, por exigir muito tempo, dificultando igualmente a criação de imagens e sons mais efetivos e adequados para a narrativa. Por essa razão, grande parte das filmagens realiza-se em estúdios, locais especialmente preparados para a produção de ficções filmadas.
Também se fazem filmes desenhados e "trucados", em que se utilizam motivos desenhados ou pintados, bonecos, etc. Essa técnica é usada principalmente em contos infantis e educativos. Desde o início da história do cinema, a exibição das narrações filmadas vem se realizando em salas públicas de projeção, que constituíram a primeira fonte de receita da indústria cinematográfica. Por esse motivo, a evolução da arte cinematográfica desenvolveu-se dentro do repertório destinado ao grande público. Contudo, convém não esquecer que o cinema tem muitas outras funções.
Cada vez mais se realizam projeções em outros locais como escolas, lugares de reunião e, inclusive, casas particulares. O cinema é, atualmente, um dos meios mais importantes de comunicação social.


Da idéia ao filme terminado
Todo amador de cinema sabe que se pode conseguir filmes aceitáveis com meios simples. Mas os filmes destinados a exibição pública exigem maiores cuidados, pois devem superar situações mais difíceis. Por isso, uma produção cinematográfica importante necessita de muitos especialistas e profissionais, de equipamento caro e de minuciosa planificação. Mas para as grandes produções como para as pequenas, a rotina de trabalho para realizar uma idéia cinematográfica é a mesma. O material de som e de imagem deve ser obtido sem gastos desnessários, de forma que o orçamento do filme não seja ultrapassado. Um argumento cinematográfico é arranjado, desde o início, em forma de roteiro, quer dizer, como um autêntico plano de trabalho no papel, contendo a descrição, seqüência por seqüência, do conteúdo visual e sonoro do filme.
Baseando-se em um roteiro pode-se organizar a filmagem, calcular as despesas, construir ou procurar os ambientes adequados e contratar os atores necessários. Filma-se então a imagem, gravando-se o som simultânea ou separadamente. O laboratório revela e copia os negativos das cenas bem realizadas. Mas só com a montagem o filme adquire realmente forma, pois os planos são recortados e justa-postos de maneira a obter o sentido previsto. O som, gravado em fita magnetofônica, insere-se paralelamente à imagem, de maneira que ambos se complementem (aplicação sincrônica).
Quase sempre é necessário utilizar várias fitas sonoras para sincronizar todos os sons. As diferentes fitas são reunidas em uma só, com a ajuda de aparelhos especiais, sendo os sons depois transmitidos da fita magnetofônica para um negativo fotográfico. Quando a cópia positiva já está montada (cópia de trabalho ou copião), monta-se o negativo, de acordo com a versão em positivo já montada. Depois de ter conseguido os valores corretos de luz e de filtro (adaptação da iluminação), o laboratório realiza-se uma versão em negativo da montagem final (imagem e som) de todo o filme, da qual são tiradas várias cópias para distribuição. Então, por fim, o filme está pronto para ser exibido ao público.


Cinema para todas as necessidades
Quando se fala do encontro do homem com o cinema, pensa-se logo na sala de projeção. Mas tendo em vista o papel que desempenha o cinema de hoje, não podem ser esquecidos os restantes campos de aplicação.
O cinema permite ao pesquisador conservar os momentos e a sucessão de acontecimentos para minuciosas pesquisas científicas. Os fatos registrados podem informar o público sobre a atualidade ou complementar sua educação. Dessa forma, pode-se conservar o presente para que se tenha, no futuro, um conhecimento exato dos homens, ambientes e acontecimentos de nosso tempo, tal como são na realidade. O cinema constitui, pois, uma importante fonte de documentação. Sob o outro aspecto, arquivar recordações pessoais numa fita cinematográfica pode se tornar um agradável entretenimento.
O cinema apresenta homens, ambientes e acocontecimentos de diversas maneiras, refletindo as concepções do criador cinematográfico e transmitindo suas idéias ao público. Mesmo um documentário reftlete a visão do seu criador.
A força de sugestão do cinema transformou-o em um dos meios de propaganda mais eficazes da atualidade. Os partidos políticos e grupos de opinião utilizam-no com essa finalidade. As empresas de publicidade investem grandes quantias em produções cinematográficas, e, por vezes, é difícil discernir entre informação e mera propaganda.
A força de sugestão é proporcional à capacidade de captar a atenção do espectador, para quem o cinema é sobretudo uma forma de distração, seja o tema do relato frívolo, ou sério. A capacidade para cativar o público é uma das características essenciais do meio de expressão cinematográfico.
Qualquer meio de comunicação social pode, conjugando forma e conteúdo, evoluir e atingir um nível de criação artística. Assim aconteceu com o cinema, que constituiu uma nova forma de arte do nosso século, a qual, devido ao seu caráter de meio de comunicação de massa, é, entre todas, a mais popular. As salas públicas de projeção, a televisão e os locais para exibição de filmes mais estreitos (8 e 16mm) fizeram do cinema o professor eficiente, o rápido transmissor de notícias e o grande teatro do povo.


Meio de comunicação de massa
A forma tradicional de distribuição, em que as cópias dos filmes são destinados aos locais de exibição, foi completada com a televisão, através da qual milhões de pessoas encontram o cinema diariamente em suas casas. Mas não se deve esquecer que o cinema destina-se tanto à massa como os indivíduos. Estes captam as mesmas imagens e o mesmo som, mas, devido à pré-disposição pessoal, podem recebê-los de maneira diferente e reagir de modo oposto perante um mesmo filme. O filme é composto de elementos dispersos - um verdadeiro quebra-cabeça de imagens e sons ordenados - de maneira que o "espectador-ouvinte" possa buscar e encontrar a coerência necessária. Os fragmentos insinuam o conteúdo que o "espectador-ouvinte" deve criar por si próprio, com a ajuda de sua capacidade de associação e da fantasia. Compreender um filme é, quer o espectador se dê conta ou não, uma tarefa que envolve esforço. O "espectador-ouvinte" vê com o olho da câmara e ouve com o ouvido do microfone, sentindo-se integrado no ambiente em que se desenrola a ação do filme, o que o faz esquecer o ambiente real do local de exibição. Apesar de ser uma sensação individual, o sentimento de comunidade pode influenciá-la. Se as pessoas que estão sentadas à nossa volta compartilham das mesmas sensações, exteriorizando-as com risadas ou sussuros de tensão, tal fato pode fazer aumentar a integração individual. Pelo contrário, surge a irritação, quando o sentimento de comunidade é quebrado, isto é, quando quem nos rodeia dá indícios de reagir de forma diferente (por exemplo, com risadas inoportunas).
O filme coloca o espectador em contato com outras pessoas e circunstâncias e, através de ambientes e ações fictícios, pode estimular simpatias e antipatias. Este contato parece ser psicologicamente mais duradouro que as duas horas que dura normalmente a projeção e, por isso, o cinema é um meio de grande eficácia para a divulgação de modas e costumes. O conhecimento da intensa vivência emocional do público perante um filme, assim como a penetração do cinema como meio propagandístico, levou à adoção de certas precauções, e mesmo em países governados democraticamente as exibições cinematográficas públicas estão sujeitas a algum tipo de controle ou de censura. Mas essa possibilidade de impressionar profundamente e, no caso, de influenciar negativamente, não foi, porém, objeto de estudos suficientes e imparciais e muitos pesquisadores põem-na em discussão.


Linguagem do cinema
O filme não reproduz fielmente a realidade, nem mesmo quando se trata de um documentário. Baseando na realiadade ou na ficção, constrói um relato através da montagem, com meios expressivos compostos de imagens móveis e sons. A televisão faz a mesma coisa, se bem que, por diferenças técnicas entre os dois meios, há sensíveis diferenças na maneira de utilizar o idioma comum.
A linguagem falada contém muitas expressões que mostram que nossa maneira de interpretar o que vemos relaciona-se com o condicionamento físico. Sentimo-nos "superiores" a este ou "inferiores" àquele, seguimos um de perto, enquanto mantemos outro longe do pensamento. Podemos ver as coisas "negras" ou "cor-de-rosa". Qualquer composição de imagem pode levar em conta esses fatores para influir no espectador. O filme, por meio da mobilidade da câmara, pode imitar o comportamento humano na realidade e também criar a observação do espectador.
A montagem de sons parece reforçar a imagem da realidade. Se o som do alto-falante coincide com a imagem, o "espectador-ouvinte" facilmente deduz que são partes da mesma realidade. Mesmo que o som não esteja verdadeiramente unido à imagem, influi na emoção como uma espécie de acompanhamento e, por conseguinte, na interpretação do conteúdo da imagem.
A montagem de cenas funciona de maneira similar. O "espectador-ouvinte" procura uma relação entre os planos que se sucedem, e estes, por encadeamento, podem provocar sentimentos díspares. Por exemplo: uma cena de enterro, seguida da imagem de uma criança brincando sozinha, produz um sentimento de tragédia, enquanto que a mesma imagem da criança brincando pode parecer alegre se antes mostrou-se a mãe saudando da janela da cozinha onde trabalha.
O ritmo do filme não depende só da técnica de encadeamento e mudança das cenas, mas também dos matizes de intensidade de imagem e da luz. O desenrolar das cenas aproxima-se, assim, do ritmo musical. O tempo e intensidade dão à linguagem cinematográfica o pulso dramático e o diretor de cinema relata utilizando meios psicológicos. O cinema baseia-se essencialmente na linguagem visual. Esta complementa a linguagem escrita ou falada, com a vantagem de proporcionar uma visão global de apreensão imediata.


Arte cinematográfica
Na história do cinema pode-se assinalar duas linhas principais e paralelas, que, de uma maneira frutífera, se influenciam mutuamente. Ambas têm origem na criação cinematográfica francesa inicial. Uma dessas linhas capitais, iniciada com Lumière, procura um contato íntimo com a realidade, quer dizer, tenta obter realismo de formas diversas. O cinema documentário e o drama realista seguem essa tendência. A outra linha procede de Milièes e liga-se à tradição teatral e à pintura moderna, utilizando a estilização dos temas e a fantasia.
 

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